Aujourd'hui

''Todas as horas ferem, até que a última põe um fim...''

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Long Road

Assim que me levantei e senti o céu nublado,
a única vontade que me surgiu, foi de Amanhecer.
E entre as nuvens, amanhecer ao lado teu.

Como um despertar longíquo
que não é apenas tocar a matéria densa,
mas condensar essas saudades lentas e
lhe amar tão forte quanto esta severa estação.

De que há tempos não se faz mais...
E nascer e morrer sem medo de ser,
eternamente.
♪ Always on My Mind

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Nosso caminho é uma luz no meio das pedras...

o tom da palavra - o contrapeso da realidade.

Com medo das queimaduras pela latência tão ampla do astro que não se toca, se contempla;
uma beleza que vive pulsando, que vive na veia com a corda do violino e chega aos ossos batendo e a vida refletindo; na calma de um alento, a lucidez de um sofrimento.

A grandeza que não é palpável mas toca,
porque suspende um pensamento num chamado;
uma lágrima cheia de amor - tateia o vazio e responde
os córregos que cortam o corpo pra fluir de novo
O tempo de viver e morrer, consequen-temente.

À ti, Tati Plens.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Semente

Um miolo seco e vívido demais que permanece resistente, aos pontos longos de sua solidão.
Um ressecado úmido pelo tempo pressagiando a existência num oco firme de seu eco;
vida plena eclodindo tão dentro.
E sem se perguntar, vai consentindo como quem toca ou não, o vento espalhando-se em plena semente que um dia morreu da terra pra fluir em vento - nasceu num momento, que não precisava existir espaço, ele em si era raiz.
Usou-se de corpo como veículo perfeito pra uma concepção que não cabe, como sempre soube, mas nunca fugiu - por isso é maior que consciência, mas não menor que vivência.

Eu só posso ser o que claramente sou; porque existe essa aurora - e na minha concepção desse infinito, um sempre.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Um exemplar...

''Estranheza do Mundo

Olho a árvore e indago:
está aí para quê?
O mundo é sem sentido
quanto mais vasto é.
Esta pedra esta folha
este mar sem tamanho
fecham-se em si, me
repelem.
Pervago em um mundo estranho.
Mas em meio à estranheza
do mundo, descubro
uma nova beleza
com que me deslumbro:
é teu doce sorriso
é tua pele macia
são teus olhos brilhando
é essa tua alegria.
Olho a árvore e já
não pergunto "para quê"?
A estranheza do mundo
se dissipa em você.''


Um exemplar flutuando feito um ninho,

as aspas de um aconchego

Refletindo o peito

no imerso escondido,

Pleno infinito.

e é todo teu.


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Posfácio:

"(...) O verdadeiro amor é suicida. O amor, para atingir a ignição máxima, a entrega total, deve estar condenado: a consciência da precariedade da relação possibilita mergulhar nela de corpo e alma, vivê-la enquanto morre e morrê-la enquanto vive, como numa desvairada montanha-russa, até que, de repente, acaba. E é necessário que acabe como começou, de golpe, cortado rente na carne, entre soluços, querendo e não querendo que acabe, pois o espírito humano não comporta tanta realidade, como falou um poeta maior. E enxugados os olhos, aberta a janela, lá estão as mesmas nuvens rolando lentas e sem barulho pelo céu deserto de anjos. O alívio se confunde com o vazio, e você agora prefere morrer. (...)"

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

... não.

Meus dedos pausados em si formam um leque
Ordinariamente apontando o ar,
que provoca-te pra longe
ao menor dos meus suspiros.

E os poros que te sentem perto
não se perdem em tentar te tocar,
porque te dissipas de uma miragem
que se cria inebriada pelo calor de tua existência.

É como se eu pudesse te viver prendendo minha respiração
Acreditando num sonho que não apalpa os órgãos
e não fragiliza o entorno mais nobre
de sutilmente sentir sem engano
e sem mistério que assombre
a luz dos olhos fechados.

Entre um cenário que suspendo
nas unhas nuas, a carne transparente
de palavras no tom da boca
Calada e condizente com o silêncio
do eco mais perfeito
Quando a fisiologia é nua.
Algum dia esqueceu que te amo?

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

''O quanto eu te falei...''

Por isso que eu lhe digo, que a intensidade do que sinto já não é mais proporcional a uma vida preescrita mesmo nas entrelinhas; é uma descoberta como um bólido caindo na terra, abrindo crateras que parecem já conhecidas, mas tem uma calidez que me reforçam algo infinito, que não sei explicar - é como se esse pedaço de céu pudesse dizer tudo, num segundo que não se conta - se vive.
E é assim que minha vida vai se comunhando; entre o córrego que espera passar pelas suas vias permitidas e as fendas que vai abrindo - um espaço perfeito para minhas veias. Um espaço tão perfeito que parece mentira. Tão alinhadamente simétrico que duvida-se de sanidade quando está se falando de vida, assim puramente; soletrando com coragem perante a própria fraqueza.
Aquele trabalho árduo diante da dor; aquilo que não é trabalho, mas é a força para construir e cada dias mais saber ruir; é aprender a ceder no choro, rasgar os dentes de fome num sorriso... algo que não sei mais escrever porque marcas assim primitivas não sabem descrever um celeste que não meço, e que quase me faz desaparecer por tão etéreo que é.

Tudo o que me machuca é de um puro tão essencial, que qualquer vanidade se descarta da minha importância; um amor que não se mede não se prende na corrente estúpida e inválida das corrosões doentias de um passo em falso. Eu caio sim muitas vezes, esperando o ombro que não está lá, e que eu guardei lugar debaixo de tempestades, mediante um canteiro que reguei com espesso gozo ou sofrido lamentar, em forma de seiva pra aquilo que acredito.

Porque eu acredito mesmo sem forças; pois não é uma metodologia ou um pedido de eterno retorno; é uma espessura de entrega em constante descoberta assim que abre a boca para degustar ou para gritar ao caos que pare e me responda o que é o mundo (mas ainda não está formado!). Eu estou no chão, esperando ainda com palavras secas, do ventre tão profundamente vívido por lembranças que são sinestesias ricas na mesma vaguidão de um banco que da praça se foi (e nos mantêm lá, petrificados com a condensação de um tempo que não arranca pedaços), ou do limiar de luz escorrendo na folha da grama molhada... (por uma celestial chuva que já poupou estrelas, mas me trouxe teus olhos.)
Uma inspiração que não termina quando eu paro de respirar os ares que amo.

Porque eu sou a árvore e o fruto é inevitável.
Eu esparramada na terra, doendo com as raízes procurando espaço que não é pra ser imemorial, é só pra ser transpassado; simples como entregue - numa vivência que é.

Uma cura que não chega quando não tenho doenças, quando não julgo atos como erros, quando meu sentir não é lógico pensar e medidas não aprazem mudanças do que não chegou com prazo de validade - mas me valida enquanto eu posso.
E ainda que eu não saiba, meus limites sempre explodiram quando pude chegar; mesmo com lábios tremulando-me as piores notícias que poderiam sintetizar; eu sei o quanto aquelas cores de lábios impressionaram meu peito, jorraram tinta de minhas mãos, enfeitaram meu peito nos dentes como a cor das pétalas que carrego, e chegam perto do meu peito e deslizam naquela garganta, uma voz que muda me estremece - e um conhecimento que o coração não precisa transpassar literalmente, mas um pulsar entende o seu eco; no abismo escuro de dentro;
um encontro.

E eu me encontro com meus precipícios, eu sinto a dor das feridas, eu vivo o mundo com a minha aprendizagem vertendo noções de um membro antigo de mim que não condecora razões plausíveis, mas é sonoramente excêntrico e perambula sorrateiro, na pequenitude que a grandeza das coisas simples faz surgir por aí... Não há um porto, um rio, uma casa, um lugar que fale tanto quanto essa paragem que a lembrança não historiou coroando o tempo como responsável; mas me tornou aquilo que não poderia ser de outra forma, quando a verdade se pôs cruamente nítida no próprio assumir covarde da grandeza que não é heróica e dói no peito que se entrega, sem que se responda apenas uma canção épica.


Assim como Fernando Pessoa disse que sua tristeza era natural e justa, eu compreendo essa correnteza doendo na ponta dos dedos, fechando o vazio entre as mãos e figurando nos olhos uma transparente imagem que as águas tornam reais e correntes - uma fluidez para respirar o rosto no espelho - para eu me anunciar todos os dias, eu vou viver o símbolo de minha coragem sem decorar princípios, já que a liberdade é um gosto frágil como último dizer mediante o mergulho no precicípio; mas o meu melhor é fatal. E já não tenho mais palavras ou verdades para demonstrar senão daquilo que me projeta cada dia e sempre mais...
muito mais que uma soma, uma divisão que a vida não fatia com o tempo; mas sustenta incomensuravelmente em cada partícula que faz aquela biografia transcrever minha vida apenas dizendo: ''um pequeno infinito em expansão''.

E a minha contraditoriedade vai responder suspirando esse amor, sem medo de afastar meus horizontes, porque eu acredito no que cativa-se, pertence sem sacrifícios; tudo o que posso viver é inseguro, e sabemos que a proteção nas vias precisa correr riscos pra aprender a se proteger; eu afio a faca para apontar o meu destino; eu não me escondo de minhas feridas; essa língua desastrada não se humilha lambendo feridas - e o que eu tenho é parte do que vivi, jamais se suspende por outra vista, e não luto contra.

Eu escreví um dia:

''Pois não é da ferida que tenho medo, mas da dor que me deixa cada vez mais rigidamente fraca pra interpretar o que sinto, e então minhas aberturas serão avalanches do desgosto.''

você leu isso no meu livro...

e em seguida:

''Mas não. Me colocarei à prova para descobrir o que me orienta quando preciso, e nas veias que fervilharem o sangue, eu irei acreditar.''

E é JUSTO:

''Reduzida à pó, mas infiltrada no lar em que queria,
afinal, o movimento explica a forma,
e minha apatia não enjaula medos, mas sim,
acorrenta minha coragem de te dizer que sou feliz.''



A grandeza desse todo supera os níveis de constatar uma felicidade, porque de tão aguda ela apela para o desespero - e de abrir todos meus poros, meu corpo já exortou a matéria.

E sem controle meus pensamentos são sentimentos, que voam todo dia,
e desfalecem nas suas possibilidades - do que até o impossível cria em nós.

Hoje eu tenho medo sim,
mas é porque há uma coragem florescendo num tempo estranho.
Mas a vista do céu é um horizonte tênue, sem parágrafo de início,
e nem previsão pra terminar.


Não posso abortar a minha vida, numa cria que é rasteira como um lençol d'água,
que fertiliza na própria angústia o meu mundo soberano em seu dom de existir, sem engano.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010