''Todas as horas ferem, até que a última põe um fim...''

domingo, 7 de novembro de 2010

A rede

O balanço que me embala
é como um vôo sem transmutar o corpo
o que liberta é um fechar de olhos sublime
de o peso em pluma abaixo do pés - logo terra, sim,
mas vivendo o etéreo das ideias

E assim simples eu quero a fibra dessa matéria
e não o enjoo do ir e vir
como eterno retorno e ânsia do que não se é

E sabe-se de repente, que antes de livrar-se do passado,
a grande coragem é o salto de ir
e saber voltar pra reconhecer o que lapidou esse todo

Abaixo de si, um solo de vermes
e a fertilidade inspirando (enquanto doendo) o coração,
e também pedindo o céu, como num momento desses -
aonde o lúdico e um de repente deixa os dois em mim
como um entremeio

E o meio gosto,
e a vontade do vôo,
na equalização dos meus medos e sonhos.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

pequenas rosas despetaladas

O olhar transforma o que recebe
do cultivo frutificado por dentro;
a terra estremece ao mais delicado sentir
e uma rosa aparece, em certeza apaziguada em si

O bem-querer mora nos cílios de quem percebe o mundo
com os próprios pulsares sonorizando os passos,
sob a terra em que vive o bem-querer dentro de um suspiro
e a realidade a que se inventa o espaço.

Contorna a forma e liberta a fonte
dos dedos enrodilhados na entrega
de receber nas mãos um papel, o mundo
como as últimas e primeiras coisas da aurora e nosso interno submundo.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

a sombra de um dia bonito

organismos simples implodem inúteis
a virtude de falar para regurgitar lamentos...
o cansar do avesso pintando flores pra não esquecer dos momentos
e do vazio da lógica fácil que o tempo não deixou.

os olhos se pintam de cor
e a complexidade flutua imune
as paisagens passadas, a nostalgia de não pertencer ao puro
que a solidão se concretou;
no momento mesmo de registrar o mundo e cuidar com a armadilha
que os próprios cílios entregam:
no momento de desligar-se do mecanismo,
e reverter.

o medo da vida que a coragem nos deixou.

domingo, 31 de outubro de 2010

do que se vive e eu te conto...

Abre o dia pra receber a luz no peito...
que a calidez do coração seja a prosperidade
do vento, em seu dia e entrega à integridade
de nossa força, muito além de um ponto,
mas a certeza da longevidade pra onde vai a luz.

Um corpo sustentando a leveza
do fardo de cada um,
só recebe a beleza de superar respirando
a própria lástima, e entendendo no louvor
de abrir os poros, que são todas as sensações
que do pleno nos faz vivos e então sujeitos a viver nosso máximo,
e saber o que é de fato esse amor.

Muito mais que palavras ou gestos,
é um olhar intransferível - uma sinestesia de dentro
entre a verdade e o sensível que entrega esses pontos
e as pedras de seguir o caminho e distender-se, afinal.

A coragem mora num suspiro profundo;
respira-te.
à Aline Dias

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

suspiroINspiração

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O gosto da aurora se reservando no crepúsculo

A sentinela das horas me fornece o compasso das lembranças:
o pulso dos sentires se revelando vivo até agora.

O momento do despertar não denomina exatamente o momento de apagar;
a forma apenas avoluma o espaço de descobrir e o que revela,
fica mais forte e exposto que um retrato (entendes?)

O puro de um momento largo sobressaltando o página,
transforma condições prontas; moradas em mim, obstinadas em você
que num encontro perscrutou vida e do que se alonga, ainda que se parta,
não desfalece - apenas desvanece o que é bruto e vão

E então assopra um além do próprio instante, e rememora
que meus pensamentos céticos moravam sob a densidade da Lua, sem lhos saber
e o desvio de um olhar os fez direção certa, e eu segui o lume.

E hoje ainda o que prospera, entre poesia e afagos idos, entre nós como pérolas
no meu pescoço, que envaidecem o pensamento e trazem a prosperidade
que vira o luxo desse silêncio de fim do dia;
intimista e pretencioso,

a quê a aurora se complete sem a necessidade,
e sim, com a vitalidade que o frasco do corpo exalou e pretende
respirar (daquele) dia-após-dia,
e sempre agora, sem(pre) depois.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

um piscar entre o céu e o sonho.

num descruzar de dedos, pode-se sentir muito mais que a sorte a esvair-se...
os olhos estatizam-se e as explosões no céu sugerem uma tempestade que mesmo que
quaisquer 15min (após) um dia quente demonstram que vai passar,
o sufocar no peito, não.

sugere a solidão dos dedos perdidos no espaço,
os céu escurecendo um dia inaproveitado e os quinze minutos vãos
de mais quinze, de mais trinta, de mais sessenta e tudo que não mede
mas conquista espaço bruto entre o que se vive e o que se sente;

como se esperasse uma linha mais que tênue, mas segura
e secreta como esse afinar que existe em tudo o que é bom e perigoso,
refletindo a imagem mas não assegurando o fundo de um mergulho simples, mas inteiro.

e de fatal para fatal,
as saudades e o inspirar pra seguir
é tudo o que mais se tem e o menor que se pode saber.
♪ Nusthell ♪ Alice in Chains ♪