''Todas as horas ferem, até que a última põe um fim...''

terça-feira, 15 de junho de 2010

''Talvez não ser é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando o meio dia
como uma flor azul, sem que caminhes
mais tarde pela névoa e pelos ladrilhos,

sem essa luz que levas na mão
que talvez outros não verão dourada,
que talvez ninguém soube que crescia
como a origem rubra da rosa, (...)''

(Pablo Neruda)

sábado, 12 de junho de 2010

o efêmero em seu pleno incontestável

"Te amo ainda que isso te fulmine ou que
um soco na minha cara me faça menos osso e mais verdade"


(Hilda Hilst)

terça-feira, 8 de junho de 2010

''...And people everywhere think/ Something better than I am,

''Encosto o meu dedo em sua pele, mas ela não afunda. Não é possível. Desabotôo a sua camisa e deito a minha cabeça em seu peito, meu homem de lata. Diante do novo segredo, eu queria chorar, mas posso enferrujá
-lo. Então, como viveria em paz sem a sua armadura? Sem nada entender, você se vira e vai embora. E só então eu percebo: a sua armadura é furada, meu amor. Nas centenas de furos sobre a lata, vai aguando todas as plantinhas ao seu redor. Você é, na verdade, um lindo homem regador. "
Rita Apoena

...But I miss you. I miss...''

domingo, 6 de junho de 2010

Um agora lento, muda a hora

O teu corpo de vento
e a minha alma de sopro
entre o úmido uivo desta noite,
o que mais poderia
ser tão vivo se se completa?

Um tímido erro do tempo
é grandi-eloqüência do sofrimento
e um ardor leve descreve sem perder-se -
pra que insanidade não seja o nome,
mas um transe leve que direcione o incomensurável
a forma de demonstrar além de dedos;
há o desejo de esgueirar em corpo porque
a alma transcende o que entende,

e envolta no mundo,
o vazio é falta e tu,
o pleno.

♪ Eu que não amo você ♪ Engenheiros do Hawaii ♪

sábado, 5 de junho de 2010

dourado tom - do puro - dia

O dourado da folha de vento
amadurecido recai sobre o ar
- que não se sustenta - nessa palavra
e baila como tempo
Reflete o doce ameno que já vi antes
no lume de cabelos, e por doce é pleno teu

Por tantas vidas eu me apego nas partículas
e dose inspirada é certa fluidez que transforma
em particularidades que são a nudez de poros abertos
A estalagem da memória refutando todas as medidas e
dialogando com o processo do mundo que não interfere
mais que bocas, olhos, o brilho do infinito do mudo

: na tua beleza contida em tudo.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

muita verdade a pouco chão

“Brotaram flores nos meus pés. E o quotidiano na minha vida complicou-se."
(Hilda Hilst)
.
.
.

cai a matéria bruta e o espaço de esfera entre o céu e a terra
prossegue sendo o vasto vão entre a verdade e a vivência
que se isola do controle do que pensa pra se sentir em poro comum,
ao respirar é que se inspira.

pois tanto é que na verdade pura o pouco chão responde que
enquanto se respira a atmosfera crua já sente doer a falta
nos nervos da mão que podem ser o mundo,
mas a chuva na janela ali dita a forma lá de fora (uma deformidade lenta)
e há um medo da coragem escondida nos pequenos atos*,
os dedos se sentem como pequenos nós de laços, o corpo de resguardo se alimenta;
quando os olhos estão fechados:

brotam os sonhos desses cílios que são os pêlos de todos os bichos,
o sangue quente da mais nua e selvagem profundidade - no branco desses olhos
que vem junto com o negro tempestuoso do tempo;

vem a lua minguando de tuas unhas,
e vem o sono acalmando teus lábios,
projetando fino e irreal o momento de tempo pra plenitude que se contempla
e complementa o ritmo da fala com um suspiro doce e único,

do único que não responde palavras e cala como ama
porque nada há de mais puro que se oferte e que essa latência atribua.

nem mágoa, nem rancor, tampouco ódio; o avesso vem assim que
há um receber sublime, acima do corte, da ferida, da dor;
o poder de viver acima dos títulos e das levianiedades da terra, pois
já que o chão é pouco, a verdade liberta (pra o que se sente) muito mais.

*resta ainda, como disse vinicius...

e eu pra você: reign over me.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

ADIVINHA ______(Orides Fontela)

O que é impalpável
mas
pesa

o que é sem rosto
mas
fere

o que é invisív el
mas
dói

De “Teia”, 1996