''Todas as horas ferem, até que a última põe um fim...''
segunda-feira, 19 de abril de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
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_Eu vi que eu já me dissera com interrogação 'será a hora de viver?', e a que eu temia tanto com aquele desconhecido que eu somava na tinta de meus livros, na sombra de meus traços, no desespero de uma esperança altiva?, o que me carregava pelos ombros como mão sutil e pesada? - o suficiente pra firmar meu caminho - e eu pegava à minha palma e decidia que naquela segurança eu queria trilhar meu caminho...
_Hoje eu tenho o mundo. E um abrigo vazio debaixo dos meus pés; terra infértil, terreno absoluto do tempo de engano daninho, fruto do tempo. Talvez eu já sabia desde lá que esse instinto de criação era mais que o rubro da fertilidade se despedindo de mim. Era um milagre. E não só na sua dádiva de receber. Mas no seu fardo de se doar. De entregar-se e assumir que metade do corpo é alma e eu temo de olhos bem abertos, inspirando fundo a brisa que me afoga de tudo, existindo num pulsar forte que 'rrebenta o mundo que se explica.
(e mediante...) Devora meus cílios e escurece a aurora (a luz é de dentro), os olhos só podem fecharem-se. E superar-se, suportar-se do manto de pele que não se equilibra sem esses fios frágeis de apuro além da beleza - agüentando com vida esse imenso, esse profundo, esse milagre que não dita hora, mas conduz tudo.
fecho os olhos e te vivo. e viro a página, és tu escrito. e um milagre apagado na vela. a imaginação e a espera. por viva memória, por discritiva história e repetido momento. viver.
Um medo preso na angústia e olhos limados pelas águas represadas quase sonho, quase ainda se é
ainda é. ainda.
* a cor de meus olhos
quinta-feira, 15 de abril de 2010
um parto, uma (a)parte.
Os braços e pernas e membros devorados não protegem; até porque os pulmões estão fora do alcance de segurar o ar que respiro; não é mais entre dedos, é entre vontade de dispor a vida além dos dedos a marcar tempo e assegurar que o vão entre tudo isso não é só repetir-se pra marcar a lacuna de prosseguir como se estivesse seguramente vivendo...
Eu fecho os olhos e não me vejo de novo aqui.
Sinto um parto de mim,
uma parte,
e você, afinal.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
jour, jour. (cúmplices)
é a falta da sua mais pura linguagem em vívida companhia, que basta-se
ao espaço ingênuo de compartilhar a vida imensa sem a perda de sua capacidade em si,
e não envaidece-se na história de ter sido algum dia; existe pra fortalecer o que acelera genuíno o par que se corresponde, e em tamanha precisão que afasta o inexplicável na premissa de que dois é um par e responde o que repete como ressonância do real e não erro de passado atenuante para o tímido de pensar que é fácil viver em paz. sequer acreditar que sofrer é aguentar o fardo de uma escolha, a condição persevera o que pode superar nos limites em que encontra vendo barreiras também, e no leito uma margem, uma margem pra denotar a continuidade de um fluxo, basta esticar os braços e velejar em pleno tom. entregue-se!, meu amor.
o que eu nunca te disse cruza linhas como digitais,
um único expandindo a pele, dia após dia.
"(...) O que falam, quem são, o que pensam, nada interessa ao homem. Ele entra no rio até os joelhos, dobra-se para molhar os braços até os cotovelos, joga água no peito e nas costas, e volta para a margem. (...)"
domingo, 11 de abril de 2010
a casa antiga mora em mim
cobre-me a epiderme resolvendo tornar palpável tudo o que sinto de mais cru, de mais vivo de mais clemente de vida . como se os poros realmente resolvessem a escapada de uma intensidade; refletindo tudo o que se é capaz, desde o brilho de muitas lembranças.
'eu não sei se eu vou conseguir também'.
e se são mentiras ou memórias que vão dar caminhos a esses pés sem fome de mundo, mas de caminhos convictos que me levam a ser simplesmente o lugar que preciso; da repartição.
a solidão de um dia sóbrio vai caminhando nesses trechos
e imensamente, respirando e morrendo aquilo que nunca deixou de ser em todos os percalços
página por página, suspiro por inspiro e tudo pelo fatal.
tudo.
ainda vou entregar as palavras respectivas,
quem sabe eu consegui fazê-las, no possível que se referiu em tamanho arrebatamento
ao que estirou cada letra como sangue,
pura prova do meu existir sentindo isso fundo como somente eu mesma poderia ser.
eu, mulher (menina).
quinta-feira, 8 de abril de 2010
When the dream not come true
da penumbra de um sonho afogando a minha vida na vontade que não gera fluxo
(somente as águas vindouras dos olhos em expectativa do desejo). O agudo do despertar
com as maledicências da realidade pesando no corpo com a natureza de seus membros,
com o sono alavancando o peso de uma memória; eu ouço o eco do teu pedir ao telefone:
em tua voz única de chôro:
-Eu te amo. _____ Por que tu fazes isso?
e no instante que o coração se avoluma sem disparar eu penso na fração desse segundo que eu te amo sem fazer nada, e não fiz além de aguentar teu desespero mudo e tua forçosa segurança se rompendo na rouquidão de me dizer, de me encontrar no tempo que for, pelo espaço que me sabes.
-Eu...
-Não faz isso.
nada consegui dizer, além de que o perdoava.
(''não, eu não faço''. )
-Eu te perdôo.
mas refuto se mentes, e ficas em silêncio; não sabes também, mas sentes. e saber é uma vaidade que o coração não tem mais como manter. eu te perdôo, eu esqueço eu faço virtude dessa lama se tu quiser, porque eu quero também. dar paz pra essa guerra que nunca se declarou, só posso aceitar, do puramente.
eu te amo, eu pensei.
E fechei os olhos como se a cor das pálpebras, da parte de dentro, entregasse completamente meu coração.
além do sentir que não podia se avolumar e tomar aquele lugar,
Meus olhos moucos partiam pelo resto do que convivia, meu mundo mais leve, no contrapeso se fazendo crente que mesmo no sonho,
assim, puro,
assim, um instante,
assim algo que eu não sabia dedicar seja felicidade, seja alívio,
mas era aquilo e eu podia sentir isso.
mesmo que não fosse, mesmo que um dia soe,
não há tempo nem distância se vejo de novo todas as lembranças ardendo no peito em virtude de um medo, de uma apatia, desse escárnio sem cuspe da minha boca doentia, desse escárnio da realidade vindo da tua boca que eu lembro doce, que me racha os lábios no inverno, mas não é essa a culpa e eu, que tenho sede do teu corpo, velejo nos poros cobertos pra me proibir de um fatal que vem me protegendo aos poucos, aos poucos...
"(...) O homem sonha algumas vezes o mesmo sonho. Depois que esse sonho acaba, o homem sonha que pede para não ser acordado. (...)"
quero hibernar como um fruto senil e indiscritível, nesse teu corpo sem ventre
nessa memória sem corpo, eu soo e do que as palavras vem a dizer ,
mas faço essas palavras de fundo, de um tudo que não tenho como negar já que o resto é renegado.