''Todas as horas ferem, até que a última põe um fim...''

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Eu queria que você sentisse o quanto eu te penso

Me assombra o fantasma da morte em plena vida; o corpo debatendo a força entre a casa vazia, as paredes ovulando serpentes em vozes frias e tempo condizente do medo a ter medo.

domingo, 4 de abril de 2010

como se apaga um brilho eterno de uma mente sem lembranças?

as paredes doem de um vivo que não se destrói
nada branco, nada de cor, nada a pincelar que se disfarce
e nada que a verdade faça forte o suficiente
mas insiste em continuar.



um tiro no escuro e qualquer parte que sangrar é lucro.




sexta-feira, 2 de abril de 2010

fim provisório imperfeito

uma fenda se abrindo no abismo
e uma angustia singular se enraizando pelos meus nervos
terrificam as mãos de todo meu mistério escuro e completo.

uma dúvida cavando os poros com medo e emoção
fechando as pálpebras com força pra tentar (sempre / em vão) retomar o tempo de conexões doces nos olhos entre outros, devorando-se calmos.
e profundos.

e antes...
(profundos nós nos cabelos enrodilhados por natureza
o detalhe dos dedos circulando eles é um carinho
de ferida maternal doendo a chaga de uma cria pura
e um mundo distinto dos vínculos dos dedos
em marcas que impressão nenhuma alheia vai encobrir
pela verdade que os faz encravar as trilhas de um mundo fundo)

eu queria...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

"(...) todas as minhas partes amputadas se procurando na antiga unidade do meu corpo (...)"

aonde um amor e uma capacidade de perdoar tão grande
não tem um par de asas pra voar e um par de pés pra afixar
essa dualidade que é uma união e não extremos?
que justiça de um que não vive sem o outro,
que nos escolhe, mundo?

o peito se abre com a lentidão de uma faca cortando a pele pura
o teu desejo mórbido de ver sangrar o alimento
é a veia espessa que não estanca por aqui;
que dentes famintos os sorrisos não satisfazem?

olho por olho vale mais que o dente por dente
eu não tenho fome nem sede;
as lágrimas embebem o que a saliva condensa e
a língua bate entre os dentes pra chamar algo:

então
http://riot-act.blogspot.com/2010/04/tempos-claros-de-vermes.html

terça-feira, 30 de março de 2010

o chão abriu-se na mesma fenda
que a tua boca dizendo 'não' abriu escuridão
engoliu minha pele, deixou meus olhos sem porto

mas os poros abertos, a escuridão pra aguçar
a voz pra lembrar que o canto é a luz no fim do túnel
e os teus passos o compasso de um vazio


deus, o vazio de
ti-ti-ti-ti-tic-tac-tic-tac-tic-tac...


a que agora o golpe desse tempo sem terra
pra fertilizar os meus campos de morango
- de gosto puro vindo do amor - carmin - fundo da boca,
essa fenda de espaço profundo
é a falta de tempo,
é o caminho lento,
é o profundo recriando o espaço
pra o que não está preenchido, mas se é uma lacuna...
não é vazio!

''...Where are you my angel now?
don't you see me crying?
And I know that you can't do it all
but you can't say I'm not trying...''


e são as raízes aéreas que doem a falta de força pra nutrir frutos
; saliva lenta da minha boca seca, seca.

segunda-feira, 29 de março de 2010

do lacrimejar mais forte que céu

sentir algo a mais do que se diz e que se pode viver trivialmente,
é presenciar o que é força por dentro:(, delicada ingenuidade por fora)
um florescer.

uma pureza, e um par de momentos se completa;
sim, nossos dois lares se fazendo assim, fora e dentro,
quando pode e sempre podendo

querer bem assim,
é pra sempre.

nossas águas de março
hoje são porto de olhos.