''Todas as horas ferem, até que a última põe um fim...''

domingo, 14 de março de 2010

A sinestesia da manhã marcada pelo sono
embrulha a casa e deixa nossos corpos intactos.
E amenizando a cristalização das lembranças, as gotículas lá de fora
caminham o tempo e devoram o mundo numa pequena forma de
renovar os cuidados em vivências vindouras...

Nós, que somos feitos de uma essência distribuída,
clareamos o céu escuro e bordamos o céu de mais um dia,
entre capacitações que vão além desses dedos e dessa atmosfera pra que eu te oferte.
E eu espero, porque o meu pensamento não tem hora pra acontecer
e enquanto tu não estás, prevaleces.
Ainda tem o seu perfume pela casa/ Ainda tem você na sala/
Porque meu coração dispara/ Quando tem o seu cheiro/ Dentro de um livro/ Na cinza das horas...

quarta-feira, 10 de março de 2010

Noite escura, escura...

Uma dor fina no couro
é a pele pedindo sutilezas
Como um céu sem arrepios

Porque decolam as estrelas
no seu manto em sereno
e sob a cabeça o que pode
ser plausível sem uma razão
que preceda

O verso entre a grama,
germinando o som do silêncio
que cresce na infinitude
de gestos humildes e sós.

Aguardando teu encontro
e amortecendo devagar...
as saudades
repletas de falta, matando a gente um pouco
para que não seja desencontro
para que não seja amargura
para não amortecer o
tanto que ainda faz de bom.
e eu te espero.
"(...) XXXII
E facas tão alongadas
Trilhas, estradas
Frias escarpadas
AINDA para a tua volta." (Hilda Hilst)
porque qualquer gesto teu é luz.

terça-feira, 9 de março de 2010

BASTA!

Um abraço de punhos fechados,

e eu te amo porque você precisa de amor.

Do Começo ao Fim

Batimentos

Soando na porta, e entrando em forma de ilusão, se apresentando como esperança.
Tocando forte no peito, e sucessivamente, tanto quanto, vitalmente.

Um par que não explica quando se completa,
mas se sente pensando,
acreditando numa nuvem efêmera
que vem dizer o que é real...

Soa lento e no próximo dia,
rápido, luz eclodindo desperdícios,
acontecimentos envolvendo mais um fim
pra começar mais uma virtude infinitamente desconhecida.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Entremeio, entre os dias

Flores nascendo das gotas desgovernadas, imprevisíveis.
Paisagem amolestada pelo calor repentino, faz o tempo passar como um suspiro,
um entremeio nascendo de um pensamento
tardio para o tempo que corre depressa em acontecer.

E olho para meus pés, e vejo poeira d'outrora
Uma clareza que não se purifica com a água,
é densa como a substância essencial, talvez turva;
convieniente aos cacos de vidro enraizados no chão,
resplandecendo flores que os olhos tristes não abandonaram...

num por enquanto, então.


''...I shot my love today
Would you cry for me?
I lost my head again
Would you lie for me?
I left her in the sand just a burden in my hand

I lost my head again
Would you cry for me?

Just a burden in my hand
Just an anchor on my heart
Just a tumor in my head
And I’m in the dark...''

domingo, 7 de março de 2010

vida viva fervilha a ferida

e para o cansaço cheio da minha dor,
eu movimento meus dedos enrodilhando círculos como o mundo,
sentido os sentidos que torturam a lógica e me remetem
a descrever um mundo ilusório que não retrata meus movimentos sequer em sonho;
cruelmente viva, os olhos se descobrem nus, os dias ali -
na consciência do que não é meu, me percebendo cada vez mais distanciamente adentro.

e agora?

sexta-feira, 5 de março de 2010

Prece por ti.

In Memorian
Eu contei os passos que alguém não podia dar, enquanto partia...
e eu não ia embora.
Enquanto o adeus pairava mudo e eu na apatia contava a tortura
com os dedos presos na minha apatia dia após dia,
até que foi, e não me deixou embora.
Estou aqui, e a vida me parte em ter-lhe nas frestas, portas e janelas,
além da nudez do mundo e a fragilidade da existência.
Uma linha tênue entre os punhos fechados,
olhos cerrados,
o exaspero de um desatinar do respirar,
inspira o bálsamo pra ferida;
e mais uma vez, tentar acreditar na voz-de-grito contida.