''Todas as horas ferem, até que a última põe um fim...''

sábado, 18 de julho de 2009

prossigo

e exercito meu cio,
num vale infértil.

campos verdes pra órbitas de olhos,
flor no peito,
lis corrente,
uma lágrima e uma espera sem sorriso;
vaguidão tão falsa que nem se compõe em propostas decentes.

Eu vejo mas não tenho vontade de enxergar.

Me chama de flor e me leva nas tuas mãos... leva?!

Vai tempo... NÃO DEMORA!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Estou quietinha. Seguindo o curso.
Lado a lado com a minha vida (sim, sempre um leve sinal de desgosto)
Leio algo que me deixa entre quatro paredes, mas nada tão forte que estremeça os escombros da parte fatalmente intimista.
Ou talvez eu tenha criado uma crosta mesmo, mas nunca insensível;
as coisas escorrem pelo meu corpo e do que me provocam,
transpiram temperaturas que deliro ou me protejo e
simples e inutilmente sigo o curso - de novo é fatal e irremediável o meu apego.

Mas não muito mais que de repente, eu sinto a tua falta.
(Claro, sinto o tempo inteiro, mas não posso deixar que me assole inescrupulosamente)
E, como no gênio poético e criativo, te figuro numa estrela
me guia por brilho forte, me encanta por voracidade linda e tímida;
és tu a figura mais bela para meus olhos, ainda que completamente distante...
E daí, é que eu estremeço de olhos: distante.
Numa condição já amortecida pelo tempo entre nós, é exatamente assim que estamos.
Você escolheu e mais que eu, se recolheu; é o que querias, e sinto que não vais me querer mais.
Isso me dá um tremendo medo, um medo imenso que a minha esperança não é capaz de conter...
De tua força, a minha presença se apaga e tu escolhes, tão cruel e frívolo numa matéria que não te cabe, que me desgasto no teu tempo que é tão livre e não me aconselha a ser tua companheira, um tão-desolador, jamais.
A distância entre nós, é uma estrela que és longe de mim, viva no meu contemplar,mas não se acalenta aos meus toques, e não sei se volta pra me trazer de volta o cálido, num beijo.

Eu peço todos os dias para os astros,
eu te vejo eternamente, como se sempre soubesse;
mas eu não sei.
absolutamente, eu não sei.

E meus olhos sempre se umedecem
Todas as paredes são frágeis fortalezas
Porque o tesouro está descoberto
só enterrado, pelos olhos fechados que não querem ver.

Os cílios unidos e molhados,
meu olhos estremecem.

Sim, eu tenho,
muito medo.

"(...) Refazer, por dentro. É possível, mesmo com o sangrar das mãos, a pele arrancada, as costas doendo de tanto peso? Será preciso jogar o prédio inteiro ao chão, para recomeçar? (...)"

quinta-feira, 16 de julho de 2009

...diante do perfeito

"(...) Encaixe

Na hora de dormir nosso encaixe era absolutamente perfeito.
Conseguíamos sincronizar os gestos ao nos movimentarmos no sono.
Dormíamos em camas estreitíssimas sem nos perturbarmos. (...)" *

Como não estremecer?...

* Trecho de O beijo não vem da boca, de Ignácio de Loyola Brandão

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Declaro

Meu amor, é hoje... já não pode mais passar.
São dias tão ruins os que tenho suportado, e hoje veio de repente, a conta: cento e oitenta e seis dias, seis meses, meio ano... 1/3 de nossa história toda.
Na mesma proporção, eu sinto dores ininterruptas, tragica e ironicamente pela mesma sensação de amor. Jogado lá fora, com o frio pra me queimar aqui de dentro, as temperaturas se abrasam trazendo confusões tão doentes pra alma: quem está deslocado?

Todos os segundos desse tempo eu sinto a me confrontar com questionamentos que me fazem esperar pelo ponto único; seja interrogativo, de encontro, um ponto, um tao-somente, que nos fez unidos, também.
Porque eu nos espero, sim, nem adianta pensar que me repudias... já não posso fazer mais nada quanto à isso, enquanto eu te amo e te perdoo todos os dias para em mim viver com a minha parte mais doce em paz, tu te aprisionas em razões para te libertares - indo mais longe das sensibilidades, aquela corrente longa o suficiente pra te proporcionar liberdade.

O limiar do 'até quando' já não atinge mais... eu bem que sei... não imaginas o susto que levei hoje ''meu deus, meio ano!" e eu aqui, perdendo as partes da minha vida em sangue, ódio, pena, e amor, imenso e totalmente... E FODA-SE!
É essa a minha pena; já não será traindo-me que te amarei menos, e tampouco te dissiparei dessa fronte de vidro e apreço puro.
Uma jóia rara é te ter... não exatamente, mas não penso que todos os braços e bocas e sexos que te abrasam conseguiram tocar aquele menino desprotegido que desaguou em meus braços sem medo do frio, da derrota, da entrega; esteve ali sereno no seu próprio desespero - porque sabia que o fluxo era tão pleno que nossos córregos se encontravam límpidos, nas mesmas lágrimas e puros, e tão lindos sorrisos...
Nada vai mudar isso.
Claro que não.
É uma bela segurança.
Mas nunca é pra sempre...

e a vida do tempo todo e único que me guarda junto de ti também não retêm isso, mas preserva no meu fundo, no meu átimo, todas as saudades de recompensa e teus braços aconchegantes do fim único para meu dia, e pra eu renascer novamente, nos teus lábios,um suspiro que seja, meu amor...
meio ano por um respirar,
é fatal.

Um momento eterno pra se dissipar tão fulgaz que nem se acredita...eu penso, eu digo:
será que você, ainda pensa em mim?...

00:26h

Faltando desde cedo, desde sempre

Lembro-me perfeitamente de tu esgueirando-te em imenso carinho pelo meu peito,
pedindo simplesmente que deixasse-lhe morar ali dentro, e pra sempre.
Feito. (impossível negar-lhe origem)

Agora eu, desejo seu peito como abrigo, necessito do lugar que deixastes oco assim que não fostes de mim,
mas partistes sem deixar vestígio de volta...
É o mesmo lugar que me abrigo pra sempre,
em imenso carinho e cuidado, que o mundo não responde - e nem atinge
E acima de todas as coisas, é a minha vitalidade única de ainda sobrar certeza
que há como estar ''tudo bem''.

(Não me negues a vida)
08:59h

terça-feira, 14 de julho de 2009

Da dor criando escudo forte

Saudades imensas vêm fundindo esse peito, pra matar e morrer
Vou até o sol e dissipo o frio com a vontade de enlaçar -
são para meus olhos o horizonte como abarcamento verdadeiro
e em mistério a esperança que se renove a teus braços e me estenda,
assim que entenda que em Nós é o melhor lugar.

Vou falando de versos pra não deixar a boca tremular o choro
que não acalenta nenhum sinal sequer
de que é próspera a mudança
E assim só tenho uma certeza:
posto que nada sei, muito irei sentir...
e de tudo.

Dói me utilizar disso como força... dói.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Pena

Um dia tão bonito para um cenário tão cru.

Céu que se mostra dissipando a grandeza que nada condena-nos a sentir,
mas escolhidos pelo sensível é vontade de voar entre eles,
mas cuidar de asas imaginárias é tirar os grilhões do pensamento;
de jaula em jaula - aumentando o espaço pra se sentir menos atado.

A beleza é um regojizo cruel quando se pensa que até os espelhos quebram...
Sem dúvidas há valores tão mais tocantes que o ego, mas eu falo de considerações
para com amor latente - eu tenho tentado disfarçar,
mas eu sei que é este que me move;
eu não posso falhar no mecanismo da minha vitalidade.

De novo a ''beleza profunda da vida'', me ataca com nobreza magistral:
me defende do curso da vida que não me aliena simplesmente,
mas na sua diferença me faz sentir perdida, em partes.

Desfragmentando essa data,
sinto nada novo do que já venho,
sou presa novamente sentindo o vento me bagunçar o trajeto
e o cenário lindo, entre eu, um belo objeto que se cura de lembrança com o tempo.

Ou não,
nada por nunca,
pra sempre!