''Todas as horas ferem, até que a última põe um fim...''
sexta-feira, 20 de maio de 2011
A luz num retrato vivo.
elas que com a luz de crepúsculo, aparecem agora tão sépias
- com uma luz única vindoura desse pêndulo do tempo
Que chove e acorda sentimentos escondidos,
seguros de sua própria poeira.
De repente a gente sente que se guarda
mais do que se aguarda,
e que tempo é até medida pequena perto de tudo que é presente
Mais que enlaçados em proporções exatas,
é esse cheiro da chuva na terra
que traz o gosto à língua e a vontade de dizer
Até do que mora há tanto,
e mais que tempo ainda, pode ser nostalgia ou nova ânsia...
E não acaba no fim dessa luz que precede o anoitecer,
vai ser como um suspiro de não entender mas manter-se preciso
Em prestar-se a viver o segundo depois
que até o próprio respirar vai responder...
terça-feira, 17 de maio de 2011
vivos os olhos a mais que vivo.
olhos de mar.
pois se não se pode chegar até ele, o desejo se faz d'alguma forma
- e se torna fácil se ver marejar...
e olhos de (a)mar,
rubros de sua existência mais que plena
é um repleto cheio de fragmentos
pra tempo nenhum ter tempo de nos culpar
por ser tão vivos embora tolos
e constar que uma cor de olhos pode ser tudo
com um infinito tão fácil de inventar...
pois marejar é um filtro de vontade
e pura condição de se ver viajar
naquilo que é simples e só
passa pela garganta sem o medo de não acompanhar o aceitável
é vivo e recria mais que palavras feito poros
mas que o dito cimentado no mundo dos pequenos universos
e tem pálpebras finas e abre e fecha portas do infinito
guardadas em pequenos glóbulos e sentidas em cada pequeno estalo.
e aos meus pequenos olhos marejados,
que venha o mundo ao fundo dos teus (o quanto além do que vibram esses meus...!)
de cores inspirantes e que o gélido da estação
viva o aspirante do calor interno até no úmido,
mesmo que se esteja mudo, calado, controverso...
é desse extremo ponto que se encontra o começo
o acaso, o completo.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Pois é a transformação que perscruta tudo antes que a fuga ache fim,
pintando quadros intermináveis - até que os poros contornantes de pura vida, parem de sentir. (...)
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Do pulso a origem que tatua caligrafia.
De um traço a linhagem do caótico
e todos seus frutos injustificáveis,
até que fossem pulsantes palavras...
domingo, 8 de maio de 2011
O que o sol em absorção de luz responde.
como um pedido que urge de dentro
Uma ausência que persevera que por muito ainda existe
e é fonte de sua própria calma, diz-se.
Mas diz-se muda e o coração que é solitário
só pode atender com a harmonia dos próprios batimentos
Quem me dera que a música lá fora desse eco em todos esses anseios...!
Uma mudança de tom e o dia já ferve
suas expectativas, já me abre os defeitos
D'uma entrega tão plena em dias tão lindos
mas (sempre) tão delicados...
Leva esse fio à longe e tece tudo que me mantêm
Seja num sopro de serenidade, ou nesse lamento que próprio fim tem
quando lembra que se disse pelo pleno mais bonito e intocável.
terça-feira, 26 de abril de 2011
De uma incontável brevidade.
Um despertar que não morre em pleno sereno, e desperta o mundo numa metáfora, como se abrir os poros fosse modo de dizer. Ranger o assoalho da casa e deduzir o vento de um cenário. Dispender do tempo que faz tempo que se sabe não voltar tanto à aqui, mas sabe o que é permanecer.
E já não tem medo de assumir, depois que se respira a distância entre frágeis (a)braços. A ausência é uma certeza que inclina o mundo que vai mudar tudo num dia só. Num crepúsculo doce, de lembranças de tanto mais; como fina inspiração de pele mais iluminada com o lustre do horizonte rabiscado em seus próprios olhos.
E todos os espelhos se tornam sagrados quando os contornos são de dentro pra fora, e cada momento e luz e fagulha de pessoas e poesia; como em você que faz, numa lágrima que antevê, e o que se diz - até num mudo triz.