''Todas as horas ferem, até que a última põe um fim...''

sábado, 27 de novembro de 2010

Segue a luz (dos olhos teus)

Alarga os laços dos teus cílios
e num fechar de olhos me faz sentir
que a escuridão de dentro é como a
da ameaça de tempestade lá fora:
chega uma hora e o contraste bate
como sol raiando no final,
mas é um condizente sinal.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Um imenso dito paixão.

O intenso escala uma força
que nem sempre sendo resistência
desfalece nosso mínimo detalhe,
pro maior entalhe do intocável...

Assim,
como respirar numa quadra,
e sentir o perfume do mundo . . .
je t'aime♥

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Olhe fundo nos olhos...

É como se o inferno da força das coisas difíceis me abrasassem
a resistência de enxergar a beleza que até nos dias cinzas,
em que o momento mais torrencial,
não faz por lavar a alma de tudo o que tem.

Mesmo que transborde tudo, revolve o que eleva
o caminho, ao sublime;
a fuga das medidas e o transcendental,
afinal.

Um pequeno milagre cada dia,
longe de ser misericordioso,
descasca o membro e torna cru o espírito...

E é assim que tudo que sinto,
mesmo quando te escrevo,
não tens fim.

domingo, 21 de novembro de 2010

''De um lado cantava o sol
(Celícia Meireles)

De um lado cantava o sol,
do outro, suspirava a lua.
No meio, brilhava a tua
face de ouro, girassol!

Ó montanha da saudade
a que por acaso vim:
outrora, foste um jardim,
e és, agora, eternidade!

De longe, recordo a cor
da grande manhã perdida.
Morrem nos mares da vida
todos os rios do amor?

Ai! celebro-te em meu peito,
em meu coração de sal,
Ó flor sobrenatural,
grande girassol perfeito!

Acabou-se-me o jardim!
Só me resta, do passado,
este relógio dourado
que ainda esperava por mim . . .''

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Uma pena tua, deslizada...

O puro responde leve
na pluma que pousa
sem mesmo ar pra completar a tarde,
justificar seu corpo.

No abafado momento desta tarde primaveril,
incediando flores, liquefazendo poros,
diminuindo olhares... nos faz inesgotáveis também;

quando na sua própria complexidade se move fundo
nem que seja pra procurar uma sombra
e sentir seu reflexo no mundo,
em alívio.

Uma imagem,
além de seu retiro
Uma coragem,
marcando o fio
de vivenciar o incrível em plenas cotidianidades.
como eu te amo, pequeno carneirinho....

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A extremidade dos dias

Os pensamentos que vivificam sombras
personificam as nuvens negras do céu
como se as existências se prestassem
a que todas as quedas respondessem todas as violências...

E logo uma prece me diz:
quem me dera que o salto todo desse céu acabasse com minha sede.

sábado, 13 de novembro de 2010

Mon-Voulez

O cansaço da solidão
sem a misericórdia de
abrir os olhos e n'outro
dia ver um esqueleto passado
- muito mais que a fome de um vão

Um espaço ocorrido entre
a graça de sentir-se em-mundo
e do vazio apossando tudo
à possibilidade de fortificar
a surpresa de estar

Como em vontade de crepúsculo em direção do olhar,
as cores rubras escancarando o peito
sem o medo da pele pálida,
sem o avesso de um dia neutro

Entre a não-tranquilidade que o tempo diz
agonizando os dedos parados
e a espera em desencanto de flores novas
- quase mármores

Petrificando uma presença encrustada em toda parte,
congelando o pulsar alto e vívido
Um grito se volta em sombra no olhar, e se parte o mundo
E ainda o contraste é cheio de amor, veja só,
como em toda parte,
como se fosse tudo.