É como se o inferno da força das coisas difíceis me abrasassem
a resistência de enxergar a beleza que até nos dias cinzas,
em que o momento mais torrencial,
não faz por lavar a alma de tudo o que tem.
Mesmo que transborde tudo, revolve o que eleva
o caminho, ao sublime;
a fuga das medidas e o transcendental,
afinal.
Um pequeno milagre cada dia,
longe de ser misericordioso,
descasca o membro e torna cru o espírito...
E é assim que tudo que sinto,
mesmo quando te escrevo,
não tens fim.
''Todas as horas ferem, até que a última põe um fim...''
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
domingo, 21 de novembro de 2010
''De um lado cantava o sol
(Celícia Meireles)
De um lado cantava o sol,
do outro, suspirava a lua.
No meio, brilhava a tua
face de ouro, girassol!
Ó montanha da saudade
a que por acaso vim:
outrora, foste um jardim,
e és, agora, eternidade!
De longe, recordo a cor
da grande manhã perdida.
Morrem nos mares da vida
todos os rios do amor?
Ai! celebro-te em meu peito,
em meu coração de sal,
Ó flor sobrenatural,
grande girassol perfeito!
De um lado cantava o sol,
do outro, suspirava a lua.
No meio, brilhava a tua
face de ouro, girassol!
Ó montanha da saudade
a que por acaso vim:
outrora, foste um jardim,
e és, agora, eternidade!
De longe, recordo a cor
da grande manhã perdida.
Morrem nos mares da vida
todos os rios do amor?
Ai! celebro-te em meu peito,
em meu coração de sal,
Ó flor sobrenatural,
grande girassol perfeito!
Acabou-se-me o jardim!
Só me resta, do passado,
este relógio dourado
que ainda esperava por mim . . .''
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Uma pena tua, deslizada...
O puro responde leve
na pluma que pousa
sem mesmo ar pra completar a tarde,
justificar seu corpo.
No abafado momento desta tarde primaveril,
incediando flores, liquefazendo poros,
diminuindo olhares... nos faz inesgotáveis também;
quando na sua própria complexidade se move fundo
nem que seja pra procurar uma sombra
e sentir seu reflexo no mundo,
em alívio.
Uma imagem,
além de seu retiro
Uma coragem,
marcando o fio
de vivenciar o incrível em plenas cotidianidades.
na pluma que pousa
sem mesmo ar pra completar a tarde,
justificar seu corpo.
No abafado momento desta tarde primaveril,
incediando flores, liquefazendo poros,
diminuindo olhares... nos faz inesgotáveis também;
quando na sua própria complexidade se move fundo
nem que seja pra procurar uma sombra
e sentir seu reflexo no mundo,
em alívio.
Uma imagem,
além de seu retiro
Uma coragem,
marcando o fio
de vivenciar o incrível em plenas cotidianidades.
como eu te amo, pequeno carneirinho....
terça-feira, 16 de novembro de 2010
A extremidade dos dias
Os pensamentos que vivificam sombras
personificam as nuvens negras do céu
como se as existências se prestassem
a que todas as quedas respondessem todas as violências...
E logo uma prece me diz:
quem me dera que o salto todo desse céu acabasse com minha sede.
personificam as nuvens negras do céu
como se as existências se prestassem
a que todas as quedas respondessem todas as violências...
E logo uma prece me diz:
quem me dera que o salto todo desse céu acabasse com minha sede.
sábado, 13 de novembro de 2010
Mon-Voulez
O cansaço da solidão
sem a misericórdia de
abrir os olhos e n'outro
dia ver um esqueleto passado
- muito mais que a fome de um vão
Um espaço ocorrido entre
a graça de sentir-se em-mundo
e do vazio apossando tudo
à possibilidade de fortificar
a surpresa de estar
Como em vontade de crepúsculo em direção do olhar,
as cores rubras escancarando o peito
sem o medo da pele pálida,
sem o avesso de um dia neutro
Entre a não-tranquilidade que o tempo diz
agonizando os dedos parados
e a espera em desencanto de flores novas
- quase mármores
Petrificando uma presença encrustada em toda parte,
congelando o pulsar alto e vívido
Um grito se volta em sombra no olhar, e se parte o mundo
E ainda o contraste é cheio de amor, veja só,
como em toda parte,
como se fosse tudo.
sem a misericórdia de
abrir os olhos e n'outro
dia ver um esqueleto passado
- muito mais que a fome de um vão
Um espaço ocorrido entre
a graça de sentir-se em-mundo
e do vazio apossando tudo
à possibilidade de fortificar
a surpresa de estar
Como em vontade de crepúsculo em direção do olhar,
as cores rubras escancarando o peito
sem o medo da pele pálida,
sem o avesso de um dia neutro
Entre a não-tranquilidade que o tempo diz
agonizando os dedos parados
e a espera em desencanto de flores novas
- quase mármores
Petrificando uma presença encrustada em toda parte,
congelando o pulsar alto e vívido
Um grito se volta em sombra no olhar, e se parte o mundo
E ainda o contraste é cheio de amor, veja só,
como em toda parte,
como se fosse tudo.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Aspas por dentro
Sonetos que não são
de Hilda Hilst
''Aflição de ser eu e não ser outra.
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha
Objeto de amor, atenta e bela.
Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.
(A noite como fera se avizinha.)
Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel
Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra.''
( Roteiro do Silêncio(1959) - Sonetos que não são - I)
de Hilda Hilst
''Aflição de ser eu e não ser outra.
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha
Objeto de amor, atenta e bela.
Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.
(A noite como fera se avizinha.)
Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel
Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra.''
( Roteiro do Silêncio(1959) - Sonetos que não são - I)
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Dos pólos ao centro
Gotas que abrasam o dia de seu total,
esvaem o mundo
sem chegar ao seu fim
Nos abrem os olhos e dispersam o mesmo cálido,
quem sabe entornando gotas também,
a fim ...
Como no dourado do trigo,
lembrar uma trilha só
e com tudo que mancha a saudade,
escrever o sentimento maior,
que é muito melhor dividir esperas,
do que caminhar sozinho.
esvaem o mundo
sem chegar ao seu fim
Nos abrem os olhos e dispersam o mesmo cálido,
quem sabe entornando gotas também,
a fim ...
de mudar
uma palha seca
pra paisagem plena.
Como no dourado do trigo,
lembrar uma trilha só
e com tudo que mancha a saudade,
escrever o sentimento maior,
que é muito melhor dividir esperas,
do que caminhar sozinho.
Um pedaço aqui
e outro acolá...
mas é assim
que o vento e
seus sinais,
fazem meu sentido.
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