''Todas as horas ferem, até que a última põe um fim...''

sábado, 19 de junho de 2010

(cartão começando em vírgula)

uma ânsia de perplexidade
para movimentar o que
de dentro pra fora toma palavras
como prova que mesmo o antônimo,
junto, é completude - e assim realiza
línguas se fundindo, contatos íntimos
de sentimentos puros e ricamente vívidos.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

como li de Mário, a Trova:

''Coração que bate-bate...
Antes deixes de bater!
Só num relógio é que as horas
Vão passando sem sofrer.''

terça-feira, 15 de junho de 2010

''Talvez não ser é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando o meio dia
como uma flor azul, sem que caminhes
mais tarde pela névoa e pelos ladrilhos,

sem essa luz que levas na mão
que talvez outros não verão dourada,
que talvez ninguém soube que crescia
como a origem rubra da rosa, (...)''

(Pablo Neruda)

sábado, 12 de junho de 2010

o efêmero em seu pleno incontestável

"Te amo ainda que isso te fulmine ou que
um soco na minha cara me faça menos osso e mais verdade"


(Hilda Hilst)

terça-feira, 8 de junho de 2010

''...And people everywhere think/ Something better than I am,

''Encosto o meu dedo em sua pele, mas ela não afunda. Não é possível. Desabotôo a sua camisa e deito a minha cabeça em seu peito, meu homem de lata. Diante do novo segredo, eu queria chorar, mas posso enferrujá
-lo. Então, como viveria em paz sem a sua armadura? Sem nada entender, você se vira e vai embora. E só então eu percebo: a sua armadura é furada, meu amor. Nas centenas de furos sobre a lata, vai aguando todas as plantinhas ao seu redor. Você é, na verdade, um lindo homem regador. "
Rita Apoena

...But I miss you. I miss...''

domingo, 6 de junho de 2010

Um agora lento, muda a hora

O teu corpo de vento
e a minha alma de sopro
entre o úmido uivo desta noite,
o que mais poderia
ser tão vivo se se completa?

Um tímido erro do tempo
é grandi-eloqüência do sofrimento
e um ardor leve descreve sem perder-se -
pra que insanidade não seja o nome,
mas um transe leve que direcione o incomensurável
a forma de demonstrar além de dedos;
há o desejo de esgueirar em corpo porque
a alma transcende o que entende,

e envolta no mundo,
o vazio é falta e tu,
o pleno.

♪ Eu que não amo você ♪ Engenheiros do Hawaii ♪

sábado, 5 de junho de 2010

dourado tom - do puro - dia

O dourado da folha de vento
amadurecido recai sobre o ar
- que não se sustenta - nessa palavra
e baila como tempo
Reflete o doce ameno que já vi antes
no lume de cabelos, e por doce é pleno teu

Por tantas vidas eu me apego nas partículas
e dose inspirada é certa fluidez que transforma
em particularidades que são a nudez de poros abertos
A estalagem da memória refutando todas as medidas e
dialogando com o processo do mundo que não interfere
mais que bocas, olhos, o brilho do infinito do mudo

: na tua beleza contida em tudo.