''Todas as horas ferem, até que a última põe um fim...''

terça-feira, 11 de maio de 2010

A linha entre a droga e o remédio.

Olhar uma flor e engolir o pólen como ouro do mundo
sentido na maciez de uma pétala a pele só
O miolo, o fundo se retificando no aroma que é teu perfume
e ao mesmo o universo completo em avulso, por si só.


Um degustar a um toque de mãos na dose pequena que move o mundo.

Não te possuo, te recrio.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A nuvem clara e a luz escura

"Cold and frosty morning
There's not a lot to say
About the things caught in my mind...''


Entre a minha paisagem torta urge o quadro precipitando o precipício que não se prende numa medida só
E encara o infinito no palpável que não conduz as mãos a possuir, enquanto estira os nervos a sentirem o alcance que elas podem, então.
E eu sei que sabes que é esse profundo além do óbvio, além do que eu sei e não lhe digo pra verter a voz no rijo que não seja como cantar e viver o pensamento que é sentir puro.


''...Damn my situation and the games I have to play
With all the things caught in my mind
Damn my education I can't find the words to say
About the things caught in my mind...''

Puro de um jeito magoado,
ferido da inocência largada nas horas longas e vida curta
e exaspero de esperança incerta,
e frase repleta.
que no vazio, falta te olhar.

''...So don't go away
Say what you say
Say that you'll stay
Forever and a day... in the time of my life...''

domingo, 9 de maio de 2010

timbre

a sensação que engole o mundo e aguça o sentimento
que pode tudo com as mãos que produzem o universo
revelam a submissão a um ritmo fundo do sentir que responde
que adentro existe o espaço único de um lugar só.

só.
tão só.
simples e
só.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

tudo, quase nada.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

De novo.

o céu, vento, suor-lágrima, a cor, a folha, a veste, o volume, a voz, o som , a música, sim, o ar,
o vento, o pincel, a vida...

___________________e
_ ___________________eu
_ _____________________queria
____________________________um
_______________________________buraco
_____________________________________pra
_______________________________________-_eu
___________________________________________cair
__________________________________________-____e
________________________________________________me
___________________________________________-_______encontrar
___________________________________________________________no
______________________________________________________________teu
_________________________________________________________________negrume ________________________________________________________________________ .

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Pro-fundo...

''Nós éramos tão próximos

Éramos tão próximos um do outro,
como dois números em uma loteria,
a cifra de uma distância.
Um de nós vencerá, talvez.

Belo, seu rosto e seu nome,
impressos em você como na lata de
deliciosa conserva
A fruta e o nome.
Você está aí dentro?

Virá ainda o tempo em que os dias serão
doces como as noites
e belos
para quem o tempo será irrelevante.

Só então saberemos.''

Yehuda Amichai
(Tradução: Ana Caetano & Vitor Pordeus)

sábado, 1 de maio de 2010

em totalidade de si (por ti, também)

A sensação de retorno por uma linha que se volta branca, exceto pelo risco que tem - e que me atinge, como o preço de pintar a pureza dessas nuvens que enxergo, nas linhas adiante: nos traços das minhas mãos.

O horizonte nascendo de novo sem explicação que vivifique a razão de abrir os olhos e sentir o mundo além de palpebras e películas e interpretações; me acorda e não me diz, deixa os passos ao corredor em lembranças correntes da própria luz do dia; presente em tudo, vinda de mim pro mundo, e uma coisa só.

Já não nego mais e o resto parece como água parada secando-se dos últimos dias, como folhas intactas louvando-se ao sol por ser o único depois da falta de vento e o inútil de soar-se em porquê. Pelo encontro que a a apatia registra, mas não difunde.

Pela falta de nome e existência pura,
da entrega plena,
da postagem dos dias repetindo-se pelo marcante;
e o essencial que brota nas letras do branco da pele
e da existência uma vez mais.

Eu não sei como purificar isso tudo daqui, eu sinto vagarosamente e o ciclo envolve uma forma que explicará meu movimento; e se é distância que discerne, eu não caminharei pelo que não luto, nem acreditarei no que não enxergo, eu só sigo, eu sigo e o branco retorna.

- Não é a sensação de distância que se explica, justifica uma falta, mas não alonga a linha que reescreve
-se todos os dias; ela persiste, resiste numa força que é uma aurora lenta, sem hora, sem nome, mas toda de mim.