''Todas as horas ferem, até que a última põe um fim...''

domingo, 25 de abril de 2010

BUT

You know that I could use somebody...

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Teu Segredo

Flores envenenadas na jarra.
Roxas azuis, encarnadas, atapetam o ar.
(...)
Nunca vi mais belas e mais perigosas.
É assim então o teu segredo.
Teu segredo é tão parecido contigo
Que nada me revela além do que já sei. E sei tão pouco
como se o teu enigma fosse eu.
Assim como tu és o meu.

Clarice Lispector

quarta-feira, 21 de abril de 2010

e eu não sei transpor a linha daquele rio.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

entre as sete cidades e o universo inteiro

E sinto falta do teu corpo junto ao meu.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

. .

Hoje pensei secretamente sobre algo que escrevi um dia. Sem revelação nas encostas do mundo, as nuances do dia-a-dia me carregaram, e num submundo de memória, vislumbrei-me num aqui que vivi naquele agora; juntando meus fragmentos eu compûs um pensamento, devaneio de hora, folga inútil: minhas lacunas e o limo entre elas.*
_Eu vi que eu já me dissera com interrogação 'será a hora de viver?', e a que eu temia tanto com aquele desconhecido que eu somava na tinta de meus livros, na sombra de meus traços, no desespero de uma esperança altiva?, o que me carregava pelos ombros como mão sutil e pesada? - o suficiente pra firmar meu caminho - e eu pegava à minha palma e decidia que naquela segurança eu queria trilhar meu caminho...
_Hoje eu tenho o mundo. E um abrigo vazio debaixo dos meus pés; terra infértil, terreno absoluto do tempo de engano daninho, fruto do tempo. Talvez eu já sabia desde lá que esse instinto de criação era mais que o rubro da fertilidade se despedindo de mim. Era um milagre. E não só na sua dádiva de receber. Mas no seu fardo de se doar. De entregar-se e assumir que metade do corpo é alma e eu temo de olhos bem abertos, inspirando fundo a brisa que me afoga de tudo, existindo num pulsar forte que 'rrebenta o mundo que se explica.
(e mediante...) Devora meus cílios e escurece a aurora (a luz é de dentro), os olhos só podem fecharem-se. E superar-se, suportar-se do manto de pele que não se equilibra sem esses fios frágeis de apuro além da beleza - agüentando com vida esse imenso, esse profundo, esse milagre que não dita hora, mas conduz tudo.
fecho os olhos e te vivo. e viro a página, és tu escrito. e um milagre apagado na vela. a imaginação e a espera. por viva memória, por discritiva história e repetido momento. viver.
Um medo preso na angústia e olhos limados pelas águas represadas quase sonho, quase ainda se é
ainda é. ainda.

* a cor de meus olhos

"(...) Peço humildemente para existir, imploro humildemente uma alegria, uma ação de graça, peço que me permitam viver com menos sofrimento, peço para não ser experimentada pelas experiências ásperas, peço a homens e mulheres que me considerem um ser humano digno de algum amor e algum respeito. Peço a bênção da vida."
(Clarice Lispector em Aprendendo a Viver)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

um parto, uma (a)parte.

E a porta está aberta e a brisa chega apalpando o rosto pra uma friagem contornar a miséria do cansaço vir lentamente remoer tudo.
Os braços e pernas e membros devorados não protegem; até porque os pulmões estão fora do alcance de segurar o ar que respiro; não é mais entre dedos, é entre vontade de dispor a vida além dos dedos a marcar tempo e assegurar que o vão entre tudo isso não é só repetir-se pra marcar a lacuna de prosseguir como se estivesse seguramente vivendo...

Eu fecho os olhos e não me vejo de novo aqui.

Sinto um parto de mim,
uma parte,
e você, afinal.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

jour, jour. (cúmplices)

o que vem doendo não é a prece de um amor em dor de existência,
é a falta da sua mais pura linguagem em vívida companhia, que basta-se
ao espaço ingênuo de compartilhar a vida imensa sem a perda de sua capacidade em si,
e não envaidece-se na história de ter sido algum dia; existe pra fortalecer o que acelera genuíno o par que se corresponde, e em tamanha precisão que afasta o inexplicável na premissa de que dois é um par e responde o que repete como ressonância do real e não erro de passado atenuante para o tímido de pensar que é fácil viver em paz. sequer acreditar que sofrer é aguentar o fardo de uma escolha, a condição persevera o que pode superar nos limites em que encontra vendo barreiras também, e no leito uma margem, uma margem pra denotar a continuidade de um fluxo, basta esticar os braços e velejar em pleno tom. entregue-se!, meu amor.

o que eu nunca te disse cruza linhas como digitais,
um único expandindo a pele, dia após dia.


"(...) O que falam, quem são, o que pensam, nada interessa ao homem. Ele entra no rio até os joelhos, dobra-se para molhar os braços até os cotovelos, joga água no peito e nas costas, e volta para a margem. (...)"