_Eu vi que eu já me dissera com interrogação 'será a hora de viver?', e a que eu temia tanto com aquele desconhecido que eu somava na tinta de meus livros, na sombra de meus traços, no desespero de uma esperança altiva?, o que me carregava pelos ombros como mão sutil e pesada? - o suficiente pra firmar meu caminho - e eu pegava à minha palma e decidia que naquela segurança eu queria trilhar meu caminho...
_Hoje eu tenho o mundo. E um abrigo vazio debaixo dos meus pés; terra infértil, terreno absoluto do tempo de engano daninho, fruto do tempo. Talvez eu já sabia desde lá que esse instinto de criação era mais que o rubro da fertilidade se despedindo de mim. Era um milagre. E não só na sua dádiva de receber. Mas no seu fardo de se doar. De entregar-se e assumir que metade do corpo é alma e eu temo de olhos bem abertos, inspirando fundo a brisa que me afoga de tudo, existindo num pulsar forte que 'rrebenta o mundo que se explica.
(e mediante...) Devora meus cílios e escurece a aurora (a luz é de dentro), os olhos só podem fecharem-se. E superar-se, suportar-se do manto de pele que não se equilibra sem esses fios frágeis de apuro além da beleza - agüentando com vida esse imenso, esse profundo, esse milagre que não dita hora, mas conduz tudo.
fecho os olhos e te vivo. e viro a página, és tu escrito. e um milagre apagado na vela. a imaginação e a espera. por viva memória, por discritiva história e repetido momento. viver.
Um medo preso na angústia e olhos limados pelas águas represadas quase sonho, quase ainda se é
ainda é. ainda.
* a cor de meus olhos