''Todas as horas ferem, até que a última põe um fim...''

segunda-feira, 12 de abril de 2010

jour, jour. (cúmplices)

o que vem doendo não é a prece de um amor em dor de existência,
é a falta da sua mais pura linguagem em vívida companhia, que basta-se
ao espaço ingênuo de compartilhar a vida imensa sem a perda de sua capacidade em si,
e não envaidece-se na história de ter sido algum dia; existe pra fortalecer o que acelera genuíno o par que se corresponde, e em tamanha precisão que afasta o inexplicável na premissa de que dois é um par e responde o que repete como ressonância do real e não erro de passado atenuante para o tímido de pensar que é fácil viver em paz. sequer acreditar que sofrer é aguentar o fardo de uma escolha, a condição persevera o que pode superar nos limites em que encontra vendo barreiras também, e no leito uma margem, uma margem pra denotar a continuidade de um fluxo, basta esticar os braços e velejar em pleno tom. entregue-se!, meu amor.

o que eu nunca te disse cruza linhas como digitais,
um único expandindo a pele, dia após dia.


"(...) O que falam, quem são, o que pensam, nada interessa ao homem. Ele entra no rio até os joelhos, dobra-se para molhar os braços até os cotovelos, joga água no peito e nas costas, e volta para a margem. (...)"

domingo, 11 de abril de 2010

a casa antiga mora em mim

não sei se é possível detalhar a grandeza que se alarga nesse instante;
cobre-me a epiderme resolvendo tornar palpável tudo o que sinto de mais cru, de mais vivo de mais clemente de vida . como se os poros realmente resolvessem a escapada de uma intensidade; refletindo tudo o que se é capaz, desde o brilho de muitas lembranças.

'eu não sei se eu vou conseguir também'.
e se são mentiras ou memórias que vão dar caminhos a esses pés sem fome de mundo, mas de caminhos convictos que me levam a ser simplesmente o lugar que preciso; da repartição.

a solidão de um dia sóbrio vai caminhando nesses trechos
e imensamente, respirando e morrendo aquilo que nunca deixou de ser em todos os percalços
página por página, suspiro por inspiro e tudo pelo fatal.
tudo.

ainda vou entregar as palavras respectivas,
quem sabe eu consegui fazê-las, no possível que se referiu em tamanho arrebatamento
ao que estirou cada letra como sangue,
pura prova do meu existir sentindo isso fundo como somente eu mesma poderia ser.

eu, mulher (menina).

quinta-feira, 8 de abril de 2010

When the dream not come true

Eu fui ver o dia insuportavelmente lindo*, depois de um sono agudo,
da penumbra de um sonho afogando a minha vida na vontade que não gera fluxo
(somente as águas vindouras dos olhos em expectativa do desejo). O agudo do despertar
com as maledicências da realidade pesando no corpo com a natureza de seus membros,
com o sono alavancando o peso de uma memória; eu ouço o eco do teu pedir ao telefone:

em tua voz única de chôro:

-Eu te amo. _____ Por que tu fazes isso?

e no instante que o coração se avoluma sem disparar eu penso na fração desse segundo que eu te amo sem fazer nada, e não fiz além de aguentar teu desespero mudo e tua forçosa segurança se rompendo na rouquidão de me dizer, de me encontrar no tempo que for, pelo espaço que me sabes.

-Eu...

-Não faz isso.

nada consegui dizer, além de que o perdoava.
(''não, eu não faço''. )
-Eu te perdôo.

mas refuto se mentes, e ficas em silêncio; não sabes também, mas sentes. e saber é uma vaidade que o coração não tem mais como manter. eu te perdôo, eu esqueço eu faço virtude dessa lama se tu quiser, porque eu quero também. dar paz pra essa guerra que nunca se declarou, só posso aceitar, do puramente.

eu te amo, eu pensei.

E fechei os olhos como se a cor das pálpebras, da parte de dentro, entregasse completamente meu coração.
além do sentir que não podia se avolumar e tomar aquele lugar,
Meus olhos moucos partiam pelo resto do que convivia, meu mundo mais leve, no contrapeso se fazendo crente que mesmo no sonho,

assim, puro,
assim, um instante,
assim algo que eu não sabia dedicar seja felicidade, seja alívio,
mas era aquilo e eu podia sentir isso.

mesmo que não fosse, mesmo que um dia soe,
não há tempo nem distância se vejo de novo todas as lembranças ardendo no peito em virtude de um medo, de uma apatia, desse escárnio sem cuspe da minha boca doentia, desse escárnio da realidade vindo da tua boca que eu lembro doce, que me racha os lábios no inverno, mas não é essa a culpa e eu, que tenho sede do teu corpo, velejo nos poros cobertos pra me proibir de um fatal que vem me protegendo aos poucos, aos poucos...

O desapego é uma luta silenciosa.
e eu me traio no teu contrário.

"(...) O homem sonha algumas vezes o mesmo sonho. Depois que esse sonho acaba, o homem sonha que pede para não ser acordado. (...)"

quero hibernar como um fruto senil e indiscritível, nesse teu corpo sem ventre
nessa memória sem corpo, eu soo e do que as palavras vem a dizer ,

'If I only could, be running up that hill.'
* agora está tudo armado pra chover de novo... feito pra entender? não faço ideia,
mas faço essas palavras de fundo, de um tudo que não tenho como negar já que o resto é renegado.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

só veja,

que nem toda intensidade é força.

e eu preciso sim de coisas simples, de uma essência que persevera o tempo
e vai além de mudanças que expliquem que o mesmo não é repetição,
tão-somente, continuidade.

AH, eu venho tentado,
mas o que é que se diz de dentro e não se sente com as mãos
sem apalpar esse frio em vazio?

as sinestesias correm em mim com a brisa da nova estação
e o eterno rememorando o profundo é uma seqüência que devasta.

'''...Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit déjà

Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
A savoir comment...''

terça-feira, 6 de abril de 2010

''...You can't know what it's like to be inside...''

extirpar essa parte é pinçar as estrelas uma a uma

e desmistificar o único do horizonte que prevalece negro,

como minhas vestes entre a pele do nu puro;

do céu, o brilho de um único

ofuscando olhares.
"...The fading melodies can't beat my need.."

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Eu queria que você sentisse o quanto eu te penso

Me assombra o fantasma da morte em plena vida; o corpo debatendo a força entre a casa vazia, as paredes ovulando serpentes em vozes frias e tempo condizente do medo a ter medo.

domingo, 4 de abril de 2010

como se apaga um brilho eterno de uma mente sem lembranças?

as paredes doem de um vivo que não se destrói
nada branco, nada de cor, nada a pincelar que se disfarce
e nada que a verdade faça forte o suficiente
mas insiste em continuar.



um tiro no escuro e qualquer parte que sangrar é lucro.