''Todas as horas ferem, até que a última põe um fim...''

sexta-feira, 2 de abril de 2010

fim provisório imperfeito

uma fenda se abrindo no abismo
e uma angustia singular se enraizando pelos meus nervos
terrificam as mãos de todo meu mistério escuro e completo.

uma dúvida cavando os poros com medo e emoção
fechando as pálpebras com força pra tentar (sempre / em vão) retomar o tempo de conexões doces nos olhos entre outros, devorando-se calmos.
e profundos.

e antes...
(profundos nós nos cabelos enrodilhados por natureza
o detalhe dos dedos circulando eles é um carinho
de ferida maternal doendo a chaga de uma cria pura
e um mundo distinto dos vínculos dos dedos
em marcas que impressão nenhuma alheia vai encobrir
pela verdade que os faz encravar as trilhas de um mundo fundo)

eu queria...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

"(...) todas as minhas partes amputadas se procurando na antiga unidade do meu corpo (...)"

aonde um amor e uma capacidade de perdoar tão grande
não tem um par de asas pra voar e um par de pés pra afixar
essa dualidade que é uma união e não extremos?
que justiça de um que não vive sem o outro,
que nos escolhe, mundo?

o peito se abre com a lentidão de uma faca cortando a pele pura
o teu desejo mórbido de ver sangrar o alimento
é a veia espessa que não estanca por aqui;
que dentes famintos os sorrisos não satisfazem?

olho por olho vale mais que o dente por dente
eu não tenho fome nem sede;
as lágrimas embebem o que a saliva condensa e
a língua bate entre os dentes pra chamar algo:

então
http://riot-act.blogspot.com/2010/04/tempos-claros-de-vermes.html

terça-feira, 30 de março de 2010

o chão abriu-se na mesma fenda
que a tua boca dizendo 'não' abriu escuridão
engoliu minha pele, deixou meus olhos sem porto

mas os poros abertos, a escuridão pra aguçar
a voz pra lembrar que o canto é a luz no fim do túnel
e os teus passos o compasso de um vazio


deus, o vazio de
ti-ti-ti-ti-tic-tac-tic-tac-tic-tac...


a que agora o golpe desse tempo sem terra
pra fertilizar os meus campos de morango
- de gosto puro vindo do amor - carmin - fundo da boca,
essa fenda de espaço profundo
é a falta de tempo,
é o caminho lento,
é o profundo recriando o espaço
pra o que não está preenchido, mas se é uma lacuna...
não é vazio!

''...Where are you my angel now?
don't you see me crying?
And I know that you can't do it all
but you can't say I'm not trying...''


e são as raízes aéreas que doem a falta de força pra nutrir frutos
; saliva lenta da minha boca seca, seca.

segunda-feira, 29 de março de 2010

do lacrimejar mais forte que céu

sentir algo a mais do que se diz e que se pode viver trivialmente,
é presenciar o que é força por dentro:(, delicada ingenuidade por fora)
um florescer.

uma pureza, e um par de momentos se completa;
sim, nossos dois lares se fazendo assim, fora e dentro,
quando pode e sempre podendo

querer bem assim,
é pra sempre.

nossas águas de março
hoje são porto de olhos.

domingo, 28 de março de 2010

''...me diz, me diz, pra onde a gente vai fugir?...''

a polpa pra fora com o gomo ressaltante de sua forma
é um crime antigo fazendo falta quando nada está certo, também.
veja-se a essência avolumada e sentir é uma seiva suculenta
assim que se prova o que não se desperdiça -
e só pode virar, sustento.

há tempo eu sou só metade, e o que costumava ser, de vazio é uma deficiência
uma condição de um estado de olhos cansados, sem vista por mudar.

o que inunda os olhos e o mundo
já não se lava mais na tempestade
só eleva os níveis de alto risco
e falta, muita falta de coragem.

sábado, 27 de março de 2010

um hoje, enquanto-você...

Para além do que vivo sem esperar,
como esse agora que transpassa-se por horas sem guardar esperanças,
eu te revelo que eu agradeço o fraco poder de minha memória.

uma ilimitação esquiva de tempo, de possessão,
é uma miragem por entre uma virtude que guarda como uma surpresa
a sua ternura de deixar doce um relance que seja
E me dá um de repente, pra aguentar os ponteiros curvando o abismo,
rachando a terra por amargura...

vai e atinge o peito com o que inflama,
mas não demora não pra me dizer que o silêncio é a minha saudade mais pura.