E a lavoura, meu amor, vai lavrada de água,
um parto de lágrimas vindo de cima,
muito acima de nós.
"(...) não tenho culpa desta chaga, deste cancro, desta ferida, não tenho culpa deste espinho, não tenho culpa desta intumescência, deste inchaço, desta purulência, não tenho culpa deste osso túrgido, e nem da gosma que vaza pelos meus poros, e nem deste visgo recôndito e maldito, não tenho culpa deste sol florido, desta chama alucinada, não tenho culpa do meu delírio. (...)"
''Todas as horas ferem, até que a última põe um fim...''
quinta-feira, 25 de março de 2010
quarta-feira, 24 de março de 2010
Elegia viva
O menino que vinha procurando luz,
agora está engolindo gotas de chuva.
De repente o vejo no céu escuro, brilhando fraco
e numa vertigem depois,
sempre ao tempo, sempre disposto
Em monumentos esculpindo palavras mudas
E então, eu o vejo brilhando ao sol refletindo num frasco pequeno;
ele dentro de um vidro, naufragando uma mensagem
dormida nas gotas como o oceano que ele formou e não desaguou de si.
Assim, pequeno e intacto,
pra sempre.
agora está engolindo gotas de chuva.
De repente o vejo no céu escuro, brilhando fraco
e numa vertigem depois,
sempre ao tempo, sempre disposto
Em monumentos esculpindo palavras mudas
E então, eu o vejo brilhando ao sol refletindo num frasco pequeno;
ele dentro de um vidro, naufragando uma mensagem
dormida nas gotas como o oceano que ele formou e não desaguou de si.
Assim, pequeno e intacto,
pra sempre.
De nós demais
O dia amanheceu com as rosas orvalhas
de um pûs vindo do antigo do céu da boca
- inchando palavras pra doerem o suficiente a que não sejam úteis
e num rubro profundo, sangra o intenso revertendo tudo
e pra dentro, o úmido lá fora explicando-se, entre mundos,
descobertos de proteção e uma angústia de viver tentando não arrepender-se,
ah deus, mesmo que mude, é tão forte que não há luta, e eu já não entendo meus passos;
sou cega de uma razão alheia tateando meu escuro
um tanto de luz
um tanto de vento
e tudo o que posso, tenho
concentrado numa bolha efêmera, num amanhecer de cristal
por nunca ter dormido, permaneço de olhos abertos, de poros escancarados
e ao frio da chuva, uma desproteção tentando esquecer que existe a palavra abrigo.
''(...) Pudesse eu um dia escrever uma espécie de tratado sobre a culpa. Como descrevê-la, aquela que é irremissível, a que não se pode corrigir? Quando a sinto, ela é até fisicamente constrangedora: um punho fechando o peito, abaixo do pescoço: e aí está ela, a culpa. A culpa? O erro, o pecado. Então o mundo passa a não ter refúgio possível. Aonde se vá e carrega-se a cruz pesada, de que não se pode falar.
Se se falar - ela não será compreendida. Alguns dirão - "mas todo o mundo..." como forma de consolo. Outros negarão simplesmente que houve culpa. E os que entenderem abaixarão a cabeça também culpada. Ah, quisera eu ser dos que entram numa igreja, aceitam a penitência e saem mais livres. Mas não sou dos que se libertam. A culpa em mim é algo tão vasto e enraizado que o melhor ainda é aprender a viver com ela, mesmo que tire o sabor do menor alimento: tudo sabe mesmo de longe a cinzas. (...)"
de um pûs vindo do antigo do céu da boca
- inchando palavras pra doerem o suficiente a que não sejam úteis
e num rubro profundo, sangra o intenso revertendo tudo
e pra dentro, o úmido lá fora explicando-se, entre mundos,
descobertos de proteção e uma angústia de viver tentando não arrepender-se,
ah deus, mesmo que mude, é tão forte que não há luta, e eu já não entendo meus passos;
sou cega de uma razão alheia tateando meu escuro
um tanto de luz
um tanto de vento
e tudo o que posso, tenho
concentrado numa bolha efêmera, num amanhecer de cristal
por nunca ter dormido, permaneço de olhos abertos, de poros escancarados
e ao frio da chuva, uma desproteção tentando esquecer que existe a palavra abrigo.
''(...) Pudesse eu um dia escrever uma espécie de tratado sobre a culpa. Como descrevê-la, aquela que é irremissível, a que não se pode corrigir? Quando a sinto, ela é até fisicamente constrangedora: um punho fechando o peito, abaixo do pescoço: e aí está ela, a culpa. A culpa? O erro, o pecado. Então o mundo passa a não ter refúgio possível. Aonde se vá e carrega-se a cruz pesada, de que não se pode falar.
Se se falar - ela não será compreendida. Alguns dirão - "mas todo o mundo..." como forma de consolo. Outros negarão simplesmente que houve culpa. E os que entenderem abaixarão a cabeça também culpada. Ah, quisera eu ser dos que entram numa igreja, aceitam a penitência e saem mais livres. Mas não sou dos que se libertam. A culpa em mim é algo tão vasto e enraizado que o melhor ainda é aprender a viver com ela, mesmo que tire o sabor do menor alimento: tudo sabe mesmo de longe a cinzas. (...)"
terça-feira, 23 de março de 2010
Cheguei.
De um gesto meu, nada aparece
E como se todas as coisas sobrevivessem
desse olhar que se curva, mas olha pro chão, e das pegadas, são fósseis.
E incertos, ventos que sopram carregam ou deixam ilusões?
-
Os cata-ventos são papéis enferrujados da minha força
do meu metal fundido
que nada pode contra as nuvens.
A vida antiga é uma ferida enrustida no peito
e que dói mais do que em dias nublados,
dói em dias vivos; em que as mãos são do coração,
uma ponte curta demais.
...e te ter ao meu ladinho, numa próxima estação♪ ?
E como se todas as coisas sobrevivessem
desse olhar que se curva, mas olha pro chão, e das pegadas, são fósseis.
E incertos, ventos que sopram carregam ou deixam ilusões?
-
Os cata-ventos são papéis enferrujados da minha força
do meu metal fundido
que nada pode contra as nuvens.
A vida antiga é uma ferida enrustida no peito
e que dói mais do que em dias nublados,
dói em dias vivos; em que as mãos são do coração,
uma ponte curta demais.
...e te ter ao meu ladinho, numa próxima estação♪ ?
domingo, 21 de março de 2010
Poeira molhada
O silêncio entre a volta vazia
(e entre) a casa
é como a cada passo
pisar nos nós
enfileirados na garganta.
dói como tu não acredita, e eu te espero, tanto.
sábado, 20 de março de 2010
hey, you!
eu sei que você pode me ouvir...!
não são essas nuvens largas que lhe tapam os ouvidos
e nem as gotas contínuas que lhe levam com elas, não é a chuva que dá o vácuo;
é o oco que ressoa o eco.
mas não é daonde você está, mas é do que te chega
ondas contínuas se desenhando no ar que se respira, e é ele quem tatua pra dentro
porque é ele quem eterniza enquanto é vivo;
e o desperdício alonga a vontade, num fio curto e transparente que desenha o teu nome
virando trepadeiras de um mundo musgo, dos meus olhos úmidos e leais
um corpo único que não tem como desatar-se de seus sinais.
e dos seus membros antigos, verdades inegáveis
vem inenarrando esse tempo vagaroso e dolorido,
por uma voz desprotegida, um anjo rouco que esqueceu seu próprio nome
parece que não é você. e tão perto...
não são essas nuvens largas que lhe tapam os ouvidos
e nem as gotas contínuas que lhe levam com elas, não é a chuva que dá o vácuo;
é o oco que ressoa o eco.
mas não é daonde você está, mas é do que te chega
ondas contínuas se desenhando no ar que se respira, e é ele quem tatua pra dentro
porque é ele quem eterniza enquanto é vivo;
e o desperdício alonga a vontade, num fio curto e transparente que desenha o teu nome
virando trepadeiras de um mundo musgo, dos meus olhos úmidos e leais
um corpo único que não tem como desatar-se de seus sinais.
e dos seus membros antigos, verdades inegáveis
vem inenarrando esse tempo vagaroso e dolorido,
por uma voz desprotegida, um anjo rouco que esqueceu seu próprio nome
parece que não é você. e tão perto...
quinta-feira, 18 de março de 2010
Um lago refletindo o céu.
Os céus vem derretendo nuvens num véu, de forma tão antiga que me suspende o tempo, e o tronco de uma lembrança faz rôta a voz desse corpo preso numa flor. Florindo o chão que repete o sólido demais, fertiliza o mundo, repete a vida, numa perpetuação que não responde mais os impulsos desse frenesi dolorido pulsando ávido em todos os horizontes, sem poupar plurais para um egoísmo único, e tão singelo que no esquecimento ínfimo revela o amor rabiscável entre tronos invisíveis,
_________________________________________essas palavras e nada mais (confundindo, a pontuação porque as mãos, te tateiam e a superfície lisa não é de teus poros cavando o poço - justificando esse fundo.
Matéria-óbvia não é fim, meu amor.)
Daí eu vou contando ponteiros afim de escalar nosso mergulho.
______________________''... I
________________________ __fall_____________
____________________________ __I fall
_________________________________ _Without you
___________________________________ __________I'm nothing ...''
_________________________________________essas palavras e nada mais (confundindo, a pontuação porque as mãos, te tateiam e a superfície lisa não é de teus poros cavando o poço - justificando esse fundo.
Matéria-óbvia não é fim, meu amor.)
Daí eu vou contando ponteiros afim de escalar nosso mergulho.
______________________''... I
________________________ __fall_____________
____________________________ __I fall
_________________________________ _Without you
___________________________________ __________I'm nothing ...''
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