O menino que vinha procurando luz,
agora está engolindo gotas de chuva.
De repente o vejo no céu escuro, brilhando fraco
e numa vertigem depois,
sempre ao tempo, sempre disposto
Em monumentos esculpindo palavras mudas
E então, eu o vejo brilhando ao sol refletindo num frasco pequeno;
ele dentro de um vidro, naufragando uma mensagem
dormida nas gotas como o oceano que ele formou e não desaguou de si.
Assim, pequeno e intacto,
pra sempre.
''Todas as horas ferem, até que a última põe um fim...''
quarta-feira, 24 de março de 2010
De nós demais
O dia amanheceu com as rosas orvalhas
de um pûs vindo do antigo do céu da boca
- inchando palavras pra doerem o suficiente a que não sejam úteis
e num rubro profundo, sangra o intenso revertendo tudo
e pra dentro, o úmido lá fora explicando-se, entre mundos,
descobertos de proteção e uma angústia de viver tentando não arrepender-se,
ah deus, mesmo que mude, é tão forte que não há luta, e eu já não entendo meus passos;
sou cega de uma razão alheia tateando meu escuro
um tanto de luz
um tanto de vento
e tudo o que posso, tenho
concentrado numa bolha efêmera, num amanhecer de cristal
por nunca ter dormido, permaneço de olhos abertos, de poros escancarados
e ao frio da chuva, uma desproteção tentando esquecer que existe a palavra abrigo.
''(...) Pudesse eu um dia escrever uma espécie de tratado sobre a culpa. Como descrevê-la, aquela que é irremissível, a que não se pode corrigir? Quando a sinto, ela é até fisicamente constrangedora: um punho fechando o peito, abaixo do pescoço: e aí está ela, a culpa. A culpa? O erro, o pecado. Então o mundo passa a não ter refúgio possível. Aonde se vá e carrega-se a cruz pesada, de que não se pode falar.
Se se falar - ela não será compreendida. Alguns dirão - "mas todo o mundo..." como forma de consolo. Outros negarão simplesmente que houve culpa. E os que entenderem abaixarão a cabeça também culpada. Ah, quisera eu ser dos que entram numa igreja, aceitam a penitência e saem mais livres. Mas não sou dos que se libertam. A culpa em mim é algo tão vasto e enraizado que o melhor ainda é aprender a viver com ela, mesmo que tire o sabor do menor alimento: tudo sabe mesmo de longe a cinzas. (...)"
de um pûs vindo do antigo do céu da boca
- inchando palavras pra doerem o suficiente a que não sejam úteis
e num rubro profundo, sangra o intenso revertendo tudo
e pra dentro, o úmido lá fora explicando-se, entre mundos,
descobertos de proteção e uma angústia de viver tentando não arrepender-se,
ah deus, mesmo que mude, é tão forte que não há luta, e eu já não entendo meus passos;
sou cega de uma razão alheia tateando meu escuro
um tanto de luz
um tanto de vento
e tudo o que posso, tenho
concentrado numa bolha efêmera, num amanhecer de cristal
por nunca ter dormido, permaneço de olhos abertos, de poros escancarados
e ao frio da chuva, uma desproteção tentando esquecer que existe a palavra abrigo.
''(...) Pudesse eu um dia escrever uma espécie de tratado sobre a culpa. Como descrevê-la, aquela que é irremissível, a que não se pode corrigir? Quando a sinto, ela é até fisicamente constrangedora: um punho fechando o peito, abaixo do pescoço: e aí está ela, a culpa. A culpa? O erro, o pecado. Então o mundo passa a não ter refúgio possível. Aonde se vá e carrega-se a cruz pesada, de que não se pode falar.
Se se falar - ela não será compreendida. Alguns dirão - "mas todo o mundo..." como forma de consolo. Outros negarão simplesmente que houve culpa. E os que entenderem abaixarão a cabeça também culpada. Ah, quisera eu ser dos que entram numa igreja, aceitam a penitência e saem mais livres. Mas não sou dos que se libertam. A culpa em mim é algo tão vasto e enraizado que o melhor ainda é aprender a viver com ela, mesmo que tire o sabor do menor alimento: tudo sabe mesmo de longe a cinzas. (...)"
terça-feira, 23 de março de 2010
Cheguei.
De um gesto meu, nada aparece
E como se todas as coisas sobrevivessem
desse olhar que se curva, mas olha pro chão, e das pegadas, são fósseis.
E incertos, ventos que sopram carregam ou deixam ilusões?
-
Os cata-ventos são papéis enferrujados da minha força
do meu metal fundido
que nada pode contra as nuvens.
A vida antiga é uma ferida enrustida no peito
e que dói mais do que em dias nublados,
dói em dias vivos; em que as mãos são do coração,
uma ponte curta demais.
...e te ter ao meu ladinho, numa próxima estação♪ ?
E como se todas as coisas sobrevivessem
desse olhar que se curva, mas olha pro chão, e das pegadas, são fósseis.
E incertos, ventos que sopram carregam ou deixam ilusões?
-
Os cata-ventos são papéis enferrujados da minha força
do meu metal fundido
que nada pode contra as nuvens.
A vida antiga é uma ferida enrustida no peito
e que dói mais do que em dias nublados,
dói em dias vivos; em que as mãos são do coração,
uma ponte curta demais.
...e te ter ao meu ladinho, numa próxima estação♪ ?
domingo, 21 de março de 2010
Poeira molhada
O silêncio entre a volta vazia
(e entre) a casa
é como a cada passo
pisar nos nós
enfileirados na garganta.
dói como tu não acredita, e eu te espero, tanto.
sábado, 20 de março de 2010
hey, you!
eu sei que você pode me ouvir...!
não são essas nuvens largas que lhe tapam os ouvidos
e nem as gotas contínuas que lhe levam com elas, não é a chuva que dá o vácuo;
é o oco que ressoa o eco.
mas não é daonde você está, mas é do que te chega
ondas contínuas se desenhando no ar que se respira, e é ele quem tatua pra dentro
porque é ele quem eterniza enquanto é vivo;
e o desperdício alonga a vontade, num fio curto e transparente que desenha o teu nome
virando trepadeiras de um mundo musgo, dos meus olhos úmidos e leais
um corpo único que não tem como desatar-se de seus sinais.
e dos seus membros antigos, verdades inegáveis
vem inenarrando esse tempo vagaroso e dolorido,
por uma voz desprotegida, um anjo rouco que esqueceu seu próprio nome
parece que não é você. e tão perto...
não são essas nuvens largas que lhe tapam os ouvidos
e nem as gotas contínuas que lhe levam com elas, não é a chuva que dá o vácuo;
é o oco que ressoa o eco.
mas não é daonde você está, mas é do que te chega
ondas contínuas se desenhando no ar que se respira, e é ele quem tatua pra dentro
porque é ele quem eterniza enquanto é vivo;
e o desperdício alonga a vontade, num fio curto e transparente que desenha o teu nome
virando trepadeiras de um mundo musgo, dos meus olhos úmidos e leais
um corpo único que não tem como desatar-se de seus sinais.
e dos seus membros antigos, verdades inegáveis
vem inenarrando esse tempo vagaroso e dolorido,
por uma voz desprotegida, um anjo rouco que esqueceu seu próprio nome
parece que não é você. e tão perto...
quinta-feira, 18 de março de 2010
Um lago refletindo o céu.
Os céus vem derretendo nuvens num véu, de forma tão antiga que me suspende o tempo, e o tronco de uma lembrança faz rôta a voz desse corpo preso numa flor. Florindo o chão que repete o sólido demais, fertiliza o mundo, repete a vida, numa perpetuação que não responde mais os impulsos desse frenesi dolorido pulsando ávido em todos os horizontes, sem poupar plurais para um egoísmo único, e tão singelo que no esquecimento ínfimo revela o amor rabiscável entre tronos invisíveis,
_________________________________________essas palavras e nada mais (confundindo, a pontuação porque as mãos, te tateiam e a superfície lisa não é de teus poros cavando o poço - justificando esse fundo.
Matéria-óbvia não é fim, meu amor.)
Daí eu vou contando ponteiros afim de escalar nosso mergulho.
______________________''... I
________________________ __fall_____________
____________________________ __I fall
_________________________________ _Without you
___________________________________ __________I'm nothing ...''
_________________________________________essas palavras e nada mais (confundindo, a pontuação porque as mãos, te tateiam e a superfície lisa não é de teus poros cavando o poço - justificando esse fundo.
Matéria-óbvia não é fim, meu amor.)
Daí eu vou contando ponteiros afim de escalar nosso mergulho.
______________________''... I
________________________ __fall_____________
____________________________ __I fall
_________________________________ _Without you
___________________________________ __________I'm nothing ...''
quarta-feira, 17 de março de 2010
O manto sobre mim
Meus cabelos trançam cheiros de abraços,
contanto histórias dos braços,
- nas pontas que fogem dos dedos, e simples
nos corpos em que se enrodilha.
explica movimentos curvando sua existência
sem que explique e justifique céu em cor,
terra de tom e textura de vida;
é deserto em nuance, é protuberância em toque
e uma sensibilidade aquém
Canta-se em coques,
avoluma-se na liberdade
e condensa nos anos, na sua extensão,
assim, que enche os olhos e orvalha emoções
descritas em linhas brilhosas da natureza - mesmo própria em fosco, ao escuro,
no silêncio crescendo a vontade de dizer tudo em si.
contanto histórias dos braços,
- nas pontas que fogem dos dedos, e simples
nos corpos em que se enrodilha.
explica movimentos curvando sua existência
sem que explique e justifique céu em cor,
terra de tom e textura de vida;
é deserto em nuance, é protuberância em toque
e uma sensibilidade aquém
Canta-se em coques,
avoluma-se na liberdade
e condensa nos anos, na sua extensão,
assim, que enche os olhos e orvalha emoções
descritas em linhas brilhosas da natureza - mesmo própria em fosco, ao escuro,
no silêncio crescendo a vontade de dizer tudo em si.
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