''Todas as horas ferem, até que a última põe um fim...''

quarta-feira, 24 de março de 2010

De nós demais

O dia amanheceu com as rosas orvalhas
de um pûs vindo do antigo do céu da boca
- inchando palavras pra doerem o suficiente a que não sejam úteis
e num rubro profundo, sangra o intenso revertendo tudo

e pra dentro, o úmido lá fora explicando-se, entre mundos,
descobertos de proteção e uma angústia de viver tentando não arrepender-se,
ah deus, mesmo que mude, é tão forte que não há luta, e eu já não entendo meus passos;
sou cega de uma razão alheia tateando meu escuro
um tanto de luz
um tanto de vento
e tudo o que posso, tenho
concentrado numa bolha efêmera, num amanhecer de cristal
por nunca ter dormido, permaneço de olhos abertos, de poros escancarados
e ao frio da chuva, uma desproteção tentando esquecer que existe a palavra abrigo.

''(...) Pudesse eu um dia escrever uma espécie de tratado sobre a culpa. Como descrevê-la, aquela que é irremissível, a que não se pode corrigir? Quando a sinto, ela é até fisicamente constrangedora: um punho fechando o peito, abaixo do pescoço: e aí está ela, a culpa. A culpa? O erro, o pecado. Então o mundo passa a não ter refúgio possível. Aonde se vá e carrega-se a cruz pesada, de que não se pode falar.

Se se falar - ela não será compreendida. Alguns dirão - "mas todo o mundo..." como forma de consolo. Outros negarão simplesmente que houve culpa. E os que entenderem abaixarão a cabeça também culpada. Ah, quisera eu ser dos que entram numa igreja, aceitam a penitência e saem mais livres. Mas não sou dos que se libertam. A culpa em mim é algo tão vasto e enraizado que o melhor ainda é aprender a viver com ela, mesmo que tire o sabor do menor alimento: tudo sabe mesmo de longe a cinzas. (...)"


terça-feira, 23 de março de 2010

Cheguei.

De um gesto meu, nada aparece
E como se todas as coisas sobrevivessem
desse olhar que se curva, mas olha pro chão, e das pegadas, são fósseis.
E incertos, ventos que sopram carregam ou deixam ilusões?
-
Os cata-ventos são papéis enferrujados da minha força
do meu metal fundido
que nada pode contra as nuvens.

A vida antiga é uma ferida enrustida no peito
e que dói mais do que em dias nublados,
dói em dias vivos; em que as mãos são do coração,
uma ponte curta demais.

...e te ter ao meu ladinho, numa próxima estação♪ ?

domingo, 21 de março de 2010

Poeira molhada

O silêncio entre a volta vazia
(e entre) a casa
é como a cada passo
pisar nos nós
enfileirados na garganta.

dói como tu não acredita, e eu te espero, tanto.

sábado, 20 de março de 2010

hey, you!

eu sei que você pode me ouvir...!
não são essas nuvens largas que lhe tapam os ouvidos
e nem as gotas contínuas que lhe levam com elas, não é a chuva que dá o vácuo;
é o oco que ressoa o eco.

mas não é daonde você está, mas é do que te chega
ondas contínuas se desenhando no ar que se respira, e é ele quem tatua pra dentro
porque é ele quem eterniza enquanto é vivo;
e o desperdício alonga a vontade, num fio curto e transparente que desenha o teu nome

virando trepadeiras de um mundo musgo, dos meus olhos úmidos e leais
um corpo único que não tem como desatar-se de seus sinais.
e dos seus membros antigos, verdades inegáveis
vem inenarrando esse tempo vagaroso e dolorido,
por uma voz desprotegida, um anjo rouco que esqueceu seu próprio nome

parece que não é você. e tão perto...

quinta-feira, 18 de março de 2010

Um lago refletindo o céu.

Os céus vem derretendo nuvens num véu, de forma tão antiga que me suspende o tempo, e o tronco de uma lembrança faz rôta a voz desse corpo preso numa flor. Florindo o chão que repete o sólido demais, fertiliza o mundo, repete a vida, numa perpetuação que não responde mais os impulsos desse frenesi dolorido pulsando ávido em todos os horizontes, sem poupar plurais para um egoísmo único, e tão singelo que no esquecimento ínfimo revela o amor rabiscável entre tronos invisíveis,

_________________________________________essas palavras e nada mais (confundindo, a pontuação porque as mãos, te tateiam e a superfície lisa não é de teus poros cavando o poço - justificando esse fundo.

Matéria-óbvia não é fim, meu amor.)

Daí eu vou contando ponteiros afim de escalar nosso mergulho.

______________________''... I
________________________ __fall_____________
____________________________ __
I fall
_________________________________ _
Without you
___________________________________ __________I'm nothing ...''

quarta-feira, 17 de março de 2010

O manto sobre mim

Meus cabelos trançam cheiros de abraços,
contanto histórias dos braços,
- nas pontas que fogem dos dedos, e simples
nos corpos em que se enrodilha.

explica movimentos curvando sua existência
sem que explique e justifique céu em cor,
terra de tom e textura de vida;
é deserto em nuance, é protuberância em toque
e uma sensibilidade aquém

Canta-se em coques,
avoluma-se na liberdade
e condensa nos anos, na sua extensão,
assim, que enche os olhos e orvalha emoções
descritas em linhas brilhosas da natureza - mesmo própria em fosco, ao escuro,
no silêncio crescendo a vontade de dizer tudo em si.

terça-feira, 16 de março de 2010

WITHOUT YOU, I'M NOTHING!

''Strange infatuation seems to grace the evening tide
I'll take it by your side
Such imagination seems to help the feeling slide
I'll take it by your side
Instant correlation sucks and breeds a pack of lies
I'll take it by your side
Oversaturation curls the skin and tans the hide
I'll take it by your side

Tick tock
Tick Tock
Tick tock
Tick Tock
Tick tock
Tick Tock
Tick tick
Tick Tick
Tick
Tick
Tick
Tick
Tick tock
Tick Tock
Tick
...''