''Todas as horas ferem, até que a última põe um fim...''
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Do sonho em olhos despertos,
vão constituindo o mundo anuviado,
e claro entre os raios de luz - e sobrevivência nobre;
o meu desejo mais sutil, na carne rasgada e nua.
Só tua
''Se tudo pode acontecer
Se pode acontecer/ Qualquer coisa
Um deserto florescer/ Uma nuvem cheia não chover
Pode alguém aparecer/ E acontecer de ser você
Um cometa vir ao chão/ Um relâmpago na escuridão
E a gente caminhando
De mão dada
de qualquer maneira
Eu quero que esse momento
Dure a vida inteira
E além da vida
Ainda de manhã
No outro dia
Se for eu e você
Se assim acontecer.''
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Pois,
as palavras surgiram como serpentes que chamavam,
mas na minha resposta só conduziam ruídos;
direcionando seu corpo como ponteiros
esvaindo a mancha de um sonho na marca do travesseiro dormido,
e sozinho outra vez.
"(...) Toda a noite choraste... e eu chorei
Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei
Que ninguém é mais triste do que nós!
Contaste tanta coisa à noite calma,
Que eu pensei que tu eras a minh'alma
Que chorasse perdida em tua voz!...''
E era só eu que morria.
Tu volta a ser uma miragem.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Long Road
a única vontade que me surgiu, foi de Amanhecer.
E entre as nuvens, amanhecer ao lado teu.
Como um despertar longíquo
que não é apenas tocar a matéria densa,
mas condensar essas saudades lentas e
lhe amar tão forte quanto esta severa estação.
De que há tempos não se faz mais...
E nascer e morrer sem medo de ser,
eternamente.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Nosso caminho é uma luz no meio das pedras...
Com medo das queimaduras pela latência tão ampla do astro que não se toca, se contempla;
uma beleza que vive pulsando, que vive na veia com a corda do violino e chega aos ossos batendo e a vida refletindo; na calma de um alento, a lucidez de um sofrimento.
A grandeza que não é palpável mas toca,
porque suspende um pensamento num chamado;
uma lágrima cheia de amor - tateia o vazio e responde
os córregos que cortam o corpo pra fluir de novo
O tempo de viver e morrer, consequen-temente.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Semente
Um ressecado úmido pelo tempo pressagiando a existência num oco firme de seu eco;
vida plena eclodindo tão dentro.
Usou-se de corpo como veículo perfeito pra uma concepção que não cabe, como sempre soube, mas nunca fugiu - por isso é maior que consciência, mas não menor que vivência.
Eu só posso ser o que claramente sou; porque existe essa aurora - e na minha concepção desse infinito, um sempre.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Um exemplar...
''Estranheza do Mundo
Olho a árvore e indago:
está aí para quê?
O mundo é sem sentido
quanto mais vasto é.
Esta pedra esta folha
este mar sem tamanho
fecham-se em si, me
repelem.
Pervago em um mundo estranho.
Mas em meio à estranheza
do mundo, descubro
uma nova beleza
com que me deslumbro:
é teu doce sorriso
é tua pele macia
são teus olhos brilhando
é essa tua alegria.
Olho a árvore e já
não pergunto "para quê"?
A estranheza do mundo
se dissipa em você.''Um exemplar flutuando feito um ninho,
as aspas de um aconchego
Refletindo o peito
no imerso escondido,
Pleno infinito.
e é todo teu.
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Posfácio:
"(...) O verdadeiro amor é suicida. O amor, para atingir a ignição máxima, a entrega total, deve estar condenado: a consciência da precariedade da relação possibilita mergulhar nela de corpo e alma, vivê-la enquanto morre e morrê-la enquanto vive, como numa desvairada montanha-russa, até que, de repente, acaba. E é necessário que acabe como começou, de golpe, cortado rente na carne, entre soluços, querendo e não querendo que acabe, pois o espírito humano não comporta tanta realidade, como falou um poeta maior. E enxugados os olhos, aberta a janela, lá estão as mesmas nuvens rolando lentas e sem barulho pelo céu deserto de anjos. O alívio se confunde com o vazio, e você agora prefere morrer. (...)"
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
... não.
Ordinariamente apontando o ar,
que provoca-te pra longe
ao menor dos meus suspiros.
E os poros que te sentem perto
não se perdem em tentar te tocar,
porque te dissipas de uma miragem
que se cria inebriada pelo calor de tua existência.
É como se eu pudesse te viver prendendo minha respiração
Acreditando num sonho que não apalpa os órgãos
e não fragiliza o entorno mais nobre
de sutilmente sentir sem engano
e sem mistério que assombre
a luz dos olhos fechados.
Entre um cenário que suspendo
nas unhas nuas, a carne transparente
de palavras no tom da boca
Calada e condizente com o silêncio
do eco mais perfeito
Quando a fisiologia é nua.