''Todas as horas ferem, até que a última põe um fim...''
domingo, 9 de agosto de 2009
algumas coisas simplesmente se reconhecem quando dão da mesma maneira
E não há tempo suficiente ou sufocador para preencher lacunas;
há o que se entende e preenche espaço no coração*,
ainda que esteja de partida.
"(...) tua candura é a principal coragem. (...)"
* como o cativo da raposa
sábado, 8 de agosto de 2009
o céu vem a chorar comigo
e ao caminho encontram-se olhos
que eu não quero pensar.
Estou cansada de ter de sentir em sentidos
e falar e chorar e responder para que possam ser vívidos.
A suficiência deve ser mesmo essa solidão,
se é dor o que me resta.
E o que me provocas tão bem, eu senti tanto.
Meu amor, jamais precisava ser tudo assim,
jamais, meu amor.
http://riot-act.blogspot.com/2009/08/o-rubro-latejando.html
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
pés suando o assoalho
ou pelo menos enchem minha boca
a então eu não conseguir dizer
cansaço
---------------
a chuva que eu queria veio e já foi
meio sorriso.
--------------------
na entrada da minha rua, vi um vulto que parecia voce
vindo em minha direção, naquela sua passada de cansaço
pronta pra me abraçar e chorar tudo o que eu queria.
o coração quase passou pela garganta doída
e na luz tudo se revelou nulo,
e cansado só pra mim.
ridículo, né?!
-------------------------------
e tirei os sapatos.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
O sol vem surgindo (e?)
A febre da madrugada para a noite curta
faz o questionamento pelos olhos parados e amortecidos pela solidão e a mágoa
unidos, em uníssonos de agonia à dor de estômago,
a cabeça que pulsa tão desesperada que nem deixou pensar
e eu me afobei na própria garganta
escarrando meu cansaço do dia disfarçando a indisposição dos meses
e meus anos não competem essa realidade.
o corpo como ponte misteriosa
do que escorre aqui dentro
uma seiva densa e grossas
em gosto, só vontade
de um cheiro desconhecido
sen-tidos estranhos,
um lobisomem juvenil
devorando-se.
----------
Ah, se soubesse dizer como são as sombras diante seus olhos
como se avolumam as essencias mediante o contorno puro e condensado
numa cor, numa forma só na sua mesma possibilidade, o efêmero do tempo
para a luz que forma isto tudo...
como gritam, caladas; no escuro o fundo de uma boca
um túnel com saída pra dizer o que não se explica
e é uma rendição metafórica e doída.
''...por isso gritavam.''
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Dia quatro, dia nosso
imensos aqui dentro, ainda
e pra sempre,
meu amor.
A minha boca ainda é de fome
e desde lá te chama pelo mesmo nome
Eu te amo!
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Flores mortas
o tempo passando, condensando o sonho numa tristeza amarga
-poxa vida, meu amor...
se na dor surge a vontade de transformar, caramba, pra quê mais?
(monólogo do meu eu pra nenhum outro ser - sem ser eu)
O sol se espalhou pela sala e acordou meu olhos para o tempo
e começou a dedilhar a vida nos seus ponteiros e nos acontecimentos pra me fazer cíclica:
palavras e ressoamentos e uma lágrima junto do sorriso, do mais profundo
o banho e o café e a companhia, tão linda (eu ainda escreverei bastante sobre você,
mas agora sinto que és de olhos que te descrever pra eu contemplar e fechar meus olhos e sentir bem)
E vendo o céu que surgiu límpido
demonstrando seu passado na sua extensão,
o apagou o contorno das nuvens, fez chover a pouco
e agora é límpido, é o depois.*
(Me fez pensar assim que gotas de chuva
são flores transparentes e efêmeras:
brotam do céu e secam no chão)
Vertem mais sorrisos e inesquecíveis frutos de um tempo estranho
de uma primavera que prefereria eu que não viesse a florescer pra mostrar meus dentes amarelos num sorriso de choro.
O frio se estende bem mais do que nos poros
e as mãos geladas tecem o meu fio mais longo
das veias, dos nervos, do tempo, dos versos,
do meu apego... indo até os traços do teu nome, dos teus olhos,
a partitura da música que escolho: o meu começo e o meu fim.
As estrelas estão brilhando no céu.
E o quê volta?*
Muitas flores nas minhas mãos,
a vontade das plantas e do florescer no meu quarto
de novo uma alternativa muda pra falar do que eu estou dizendo
eu não aguento mais esse silencio curtindo o compasso do meu coração
ardendo lento e morto
nessas flores que não vieram com o tempo
e devorar a língua da minha razão
eu parto em poesia dizendo absurdos que são meus e não de poeta
que são meus e nao de eu e você
que são meus
e não de flores
e não do dia;
a morte precoce percorre bem vívida.
saudades