''Todas as horas ferem, até que a última põe um fim...''

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O sol vem surgindo (e?)

A febre da madrugada para a noite curta
faz o questionamento pelos olhos parados e amortecidos pela solidão e a mágoa
unidos, em uníssonos de agonia à dor de estômago,
a cabeça que pulsa tão desesperada que nem deixou pensar
e eu me afobei na própria garganta
escarrando meu cansaço do dia disfarçando a indisposição dos meses
e meus anos não competem essa realidade.

o corpo como ponte misteriosa
do que escorre aqui dentro
uma seiva densa e grossas
em gosto, só vontade
de um cheiro desconhecido
sen-tidos estranhos,
um lobisomem juvenil

devorando-se.


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Ah, se soubesse dizer como são as sombras diante seus olhos
como se avolumam as essencias mediante o contorno puro e condensado
numa cor, numa forma só na sua mesma possibilidade, o efêmero do tempo
para a luz que forma isto tudo...
como gritam, caladas; no escuro o fundo de uma boca
um túnel com saída pra dizer o que não se explica
e é uma rendição metafórica e doída.

''...por isso gritavam.''

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Dia quatro, dia nosso

Setecentos e trinta dias
imensos aqui dentro, ainda
e pra sempre,
meu amor.

A minha boca ainda é de fome
e desde lá te chama pelo mesmo nome

Eu te amo!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Flores mortas

Nas minhas mãos, repletas
o tempo passando, condensando o sonho numa tristeza amarga
-poxa vida, meu amor...
se na dor surge a vontade de transformar, caramba, pra quê mais?
(monólogo do meu eu pra nenhum outro ser - sem ser eu)

O sol se espalhou pela sala e acordou meu olhos para o tempo
e começou a dedilhar a vida nos seus ponteiros e nos acontecimentos pra me fazer cíclica:
palavras e ressoamentos e uma lágrima junto do sorriso, do mais profundo
o banho e o café e a companhia, tão linda (eu ainda escreverei bastante sobre você,
mas agora sinto que és de olhos que te descrever pra eu contemplar e fechar meus olhos e sentir bem)

E vendo o céu que surgiu límpido
demonstrando seu passado na sua extensão,
o apagou o contorno das nuvens, fez chover a pouco
e agora é límpido, é o depois.*
(Me fez pensar assim que gotas de chuva
são flores transparentes e efêmeras:
brotam do céu e secam no chão)

Vertem mais sorrisos e inesquecíveis frutos de um tempo estranho
de uma primavera que prefereria eu que não viesse a florescer pra mostrar meus dentes amarelos num sorriso de choro.
O frio se estende bem mais do que nos poros
e as mãos geladas tecem o meu fio mais longo
das veias, dos nervos, do tempo, dos versos,
do meu apego... indo até os traços do teu nome, dos teus olhos,
a partitura da música que escolho: o meu começo e o meu fim.

As estrelas estão brilhando no céu.
E o quê volta?*

Muitas flores nas minhas mãos,
a vontade das plantas e do florescer no meu quarto
de novo uma alternativa muda pra falar do que eu estou dizendo
eu não aguento mais esse silencio curtindo o compasso do meu coração
ardendo lento e morto
nessas flores que não vieram com o tempo
e devorar a língua da minha razão
eu parto em poesia dizendo absurdos que são meus e não de poeta
que são meus e nao de eu e você
que são meus
e não de flores
e não do dia;
a morte precoce percorre bem vívida.

saudades

domingo, 2 de agosto de 2009

Ah, vinte e quatro horas
não cabem pra dizer tanto de tudo
e muito muito mais.

Olhos bem abertos pra ver
e tão fechados pra sentir
o coração conectado com o puro,
ainda que inflamado eu sinto
e imensamente, é bem profundamente.

Nos vemos ali.

sábado, 1 de agosto de 2009

o alongamento do inverno,
o seu tom difícil
mas é todo nosso.

é toda extensão e
vida

é nosso inverno

vamos tentar de novo,
vida.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

''...You paint yourself white...''

O tempo arranja seus pontos entre os pingos
de água e da fala escondida
na boca muda

Muda enquanto não encontra um sorriso,
e passa dos pontos conjuntos,
para Nós

Nós assim,
mudos e bonitos, enfraquecidos pela falta
e abarrotados de nós mesmos
na própria alegria difícil
Que é existir sorrindo da própria complexidade
pra ser única numa face pequena
e privada do tamanho da grandeza

Abre o peito e descobre
o coração cada dia mais vivo,
meu imenso e doído,
amor.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

oco falso como buraco negro pra falta

É totalmente vão que eu tente
prender em minhas mãos
a preciosidade de um instante

A sua validade é um lume de olhos,
o enxague da alma no sorriso puro
Nascido do segundo próprio da vida eclodir

A pérola branda e bruta
no alimentar do suspiro
da esperança momentâena
é o que calmo revela
em perceptível coração

E não o arrebatamento do fio de ouro
que me sustenta mas
na força do desnecessário
com o pulso arrebenta;
A vida é demais pra ser única
em minhas mãos

Então,

silencio.