''Todas as horas ferem, até que a última põe um fim...''

terça-feira, 21 de julho de 2009

o infinito se estendendo em horas, não entendendo

Eu quero fugir do crepúsculo.

Tenho tanto medo...

Eu moldo o mistério o tempo todo,
e as minhas descobertas são de uma grandeza
que não se compreende, e já não há mais tuas mãos para lixares minhas farpas
e pôr aspas sob as palavras de imensidão...

Há um profundo abismo,
escuro como a noite que tem de cair sobre mim

Tem esse tempo
tem esse medo...

não tenho como fugir.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Não saber. simplesmente.

Eu não sei como nossos laços se perderam,
eu não faço ideia,
porque está tudo evolado perfeitamente aqui dentro.

No entanto a corda que nos liga, não dissipou os nós,
não desatou nada.

E eu não sei se é por corrosão ou ligamento puro
não desatou-Nós.

o quê mais eu posso pensar?

O céu encheu-se de estrelas de novo,
e mais uma vez não foi a minha que brilhou.

Meus olhos se curvam todos os dias e
eu estou cansada;
eu não sei mais como...

eu juro
não sei mais.

domingo, 19 de julho de 2009

A causa de se viver pelo que acredita
é de um efeito que não se explica, mas explana toda a sensação de sobrevivência
E as minhas palavras ainda entendem, pois refletem tudo nas entrelinhas -
que nem mesmo o choro é capaz de transbordar o sorriso de pura alegria
- e subentendem, ah!, e

muito bem!

sábado, 18 de julho de 2009

prossigo

e exercito meu cio,
num vale infértil.

campos verdes pra órbitas de olhos,
flor no peito,
lis corrente,
uma lágrima e uma espera sem sorriso;
vaguidão tão falsa que nem se compõe em propostas decentes.

Eu vejo mas não tenho vontade de enxergar.

Me chama de flor e me leva nas tuas mãos... leva?!

Vai tempo... NÃO DEMORA!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Estou quietinha. Seguindo o curso.
Lado a lado com a minha vida (sim, sempre um leve sinal de desgosto)
Leio algo que me deixa entre quatro paredes, mas nada tão forte que estremeça os escombros da parte fatalmente intimista.
Ou talvez eu tenha criado uma crosta mesmo, mas nunca insensível;
as coisas escorrem pelo meu corpo e do que me provocam,
transpiram temperaturas que deliro ou me protejo e
simples e inutilmente sigo o curso - de novo é fatal e irremediável o meu apego.

Mas não muito mais que de repente, eu sinto a tua falta.
(Claro, sinto o tempo inteiro, mas não posso deixar que me assole inescrupulosamente)
E, como no gênio poético e criativo, te figuro numa estrela
me guia por brilho forte, me encanta por voracidade linda e tímida;
és tu a figura mais bela para meus olhos, ainda que completamente distante...
E daí, é que eu estremeço de olhos: distante.
Numa condição já amortecida pelo tempo entre nós, é exatamente assim que estamos.
Você escolheu e mais que eu, se recolheu; é o que querias, e sinto que não vais me querer mais.
Isso me dá um tremendo medo, um medo imenso que a minha esperança não é capaz de conter...
De tua força, a minha presença se apaga e tu escolhes, tão cruel e frívolo numa matéria que não te cabe, que me desgasto no teu tempo que é tão livre e não me aconselha a ser tua companheira, um tão-desolador, jamais.
A distância entre nós, é uma estrela que és longe de mim, viva no meu contemplar,mas não se acalenta aos meus toques, e não sei se volta pra me trazer de volta o cálido, num beijo.

Eu peço todos os dias para os astros,
eu te vejo eternamente, como se sempre soubesse;
mas eu não sei.
absolutamente, eu não sei.

E meus olhos sempre se umedecem
Todas as paredes são frágeis fortalezas
Porque o tesouro está descoberto
só enterrado, pelos olhos fechados que não querem ver.

Os cílios unidos e molhados,
meu olhos estremecem.

Sim, eu tenho,
muito medo.

"(...) Refazer, por dentro. É possível, mesmo com o sangrar das mãos, a pele arrancada, as costas doendo de tanto peso? Será preciso jogar o prédio inteiro ao chão, para recomeçar? (...)"

quinta-feira, 16 de julho de 2009

...diante do perfeito

"(...) Encaixe

Na hora de dormir nosso encaixe era absolutamente perfeito.
Conseguíamos sincronizar os gestos ao nos movimentarmos no sono.
Dormíamos em camas estreitíssimas sem nos perturbarmos. (...)" *

Como não estremecer?...

* Trecho de O beijo não vem da boca, de Ignácio de Loyola Brandão

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Declaro

Meu amor, é hoje... já não pode mais passar.
São dias tão ruins os que tenho suportado, e hoje veio de repente, a conta: cento e oitenta e seis dias, seis meses, meio ano... 1/3 de nossa história toda.
Na mesma proporção, eu sinto dores ininterruptas, tragica e ironicamente pela mesma sensação de amor. Jogado lá fora, com o frio pra me queimar aqui de dentro, as temperaturas se abrasam trazendo confusões tão doentes pra alma: quem está deslocado?

Todos os segundos desse tempo eu sinto a me confrontar com questionamentos que me fazem esperar pelo ponto único; seja interrogativo, de encontro, um ponto, um tao-somente, que nos fez unidos, também.
Porque eu nos espero, sim, nem adianta pensar que me repudias... já não posso fazer mais nada quanto à isso, enquanto eu te amo e te perdoo todos os dias para em mim viver com a minha parte mais doce em paz, tu te aprisionas em razões para te libertares - indo mais longe das sensibilidades, aquela corrente longa o suficiente pra te proporcionar liberdade.

O limiar do 'até quando' já não atinge mais... eu bem que sei... não imaginas o susto que levei hoje ''meu deus, meio ano!" e eu aqui, perdendo as partes da minha vida em sangue, ódio, pena, e amor, imenso e totalmente... E FODA-SE!
É essa a minha pena; já não será traindo-me que te amarei menos, e tampouco te dissiparei dessa fronte de vidro e apreço puro.
Uma jóia rara é te ter... não exatamente, mas não penso que todos os braços e bocas e sexos que te abrasam conseguiram tocar aquele menino desprotegido que desaguou em meus braços sem medo do frio, da derrota, da entrega; esteve ali sereno no seu próprio desespero - porque sabia que o fluxo era tão pleno que nossos córregos se encontravam límpidos, nas mesmas lágrimas e puros, e tão lindos sorrisos...
Nada vai mudar isso.
Claro que não.
É uma bela segurança.
Mas nunca é pra sempre...

e a vida do tempo todo e único que me guarda junto de ti também não retêm isso, mas preserva no meu fundo, no meu átimo, todas as saudades de recompensa e teus braços aconchegantes do fim único para meu dia, e pra eu renascer novamente, nos teus lábios,um suspiro que seja, meu amor...
meio ano por um respirar,
é fatal.

Um momento eterno pra se dissipar tão fulgaz que nem se acredita...eu penso, eu digo:
será que você, ainda pensa em mim?...

00:26h